O caso da corretora suspeita de aplicar golpes imobiliários em Ribeirão Preto ganhou novos desdobramentos com o surgimento de mais vítimas. Clientes afirmam ter feito pagamentos antecipados por imóveis que nunca chegaram a ser negociados com os proprietários.
Uma das vítimas, Camila, relata ter pago cerca de R$ 10 mil como entrada, além de custos de cartório, acreditando que conseguiria adquirir uma casa e sair do aluguel. No entanto, a negociação não foi concluída e ela afirma não ter recebido qualquer documentação formal do processo.
Relatos de vítimas
De acordo com os depoimentos, a corretora Josiane Maria Barbosa Passos solicitava valores antecipados como garantia para reservar imóveis. As vítimas, porém, descobriram posteriormente que as casas continuavam disponíveis no mercado ou sequer haviam sido negociadas com os donos.
Em um dos casos, a cliente identificou que o imóvel ainda estava sendo anunciado por outro corretor. Ao entrar em contato, foi informada de que o proprietário não conhecia a profissional investigada e nunca havia recebido proposta relacionada à venda.
Desde 2024, vítimas passaram a registrar ocorrências, e ao menos sete boletins de ocorrência por estelionato já foram formalizados. A Polícia Civil investiga o caso. Além disso, o registro profissional da corretora no Conselho Regional de Corretores de Imóveis foi cancelado. As denúncias podem ganhar mais força judicialmente à medida que novos casos são reunidos.
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Orientações jurídicas
Segundo o advogado Luís Felipe Arcanjelo, o pagamento antecipado direto ao corretor, sem documentação formal ou participação do vendedor, não é uma prática recomendada no mercado.
Ele destaca que o boletim de ocorrência é fundamental para formalizar o crime e fortalecer eventuais ações judiciais. O especialista também aponta que ações coletivas podem dar mais peso ao processo, embora ações individuais possam ser mais rápidas, especialmente em casos com pedido de bloqueio de valores.
O advogado Thiago Lopes, que representa a corretora, nega a existência de estelionato. Segundo ele, há apenas dois inquéritos em andamento e a cliente ainda não foi intimada a prestar esclarecimentos. A defesa afirma que podem ter ocorrido negócios mal conduzidos, mas sem intenção de golpe. Também declarou que, caso seja comprovado prejuízo, os valores poderão ser ressarcidos às pessoas envolvidas.



