O Brasil ocupa a 10ª posição entre os países que mais desperdiçam alimentos no mundo, segundo dados apresentados pelo docente de gastronomia do Senac, Felipe Vicentini. São cerca de 55 milhões de toneladas desperdiçadas por ano, o equivalente a aproximadamente 60 quilos por pessoa.
No Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos, celebrado em 29 de setembro, o especialista explicou que perda e desperdício acontecem em etapas diferentes. A perda está mais relacionada à fase inicial, como produção, pós-colheita e transporte, enquanto o desperdício ocorre principalmente na etapa final, dentro de casas, no varejo e no comércio.
Segundo Vicentini, planejamento das compras e aproveitamento integral dos alimentos são medidas que podem ajudar a reduzir o descarte e também contribuir para a economia doméstica.
Compras
Um dos principais fatores que levam ao desperdício, segundo o docente, é a falta de planejamento na hora das compras. Promoções podem levar o consumidor a adquirir mais produtos do que consegue consumir, enquanto outros alimentos ficam esquecidos na geladeira.
Vicentini recomenda também o aproveitamento de partes que normalmente são descartadas, como talos, folhas, cascas e sementes. Salsinha, cebolinha e abóbora, por exemplo, podem ser utilizadas integralmente em diferentes preparações.
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As possibilidades incluem farofas, refogados, recheios, sopas, cremes, bolinhos e chips. Cascas de batata podem ser fritas, assadas ou preparadas na air fryer, enquanto talos podem acrescentar textura a receitas.
Conservação
A organização da geladeira também pode contribuir para aumentar a durabilidade dos alimentos. De acordo com o especialista, diferentes prateleiras apresentam temperaturas distintas, e é importante armazenar os produtos adequadamente.
Outra orientação é higienizar os alimentos antes do armazenamento e evitar guardá-los molhados ou úmidos, já que isso pode favorecer a proliferação de bactérias e acelerar a deterioração.
O congelamento é outra estratégia para evitar o desperdício. Uma das técnicas citadas pelo docente é o branqueamento de vegetais, que consiste em colocá-los por cerca de 30 segundos a um minuto em água fervente e, em seguida, em água gelada. Depois de bem secos, os vegetais podem ser congelados por até três meses.
Aproveitamento
O congelamento também pode ser feito depois do preparo dos alimentos. Tomates podem virar molho e ser congelados, enquanto frutas maduras podem ser transformadas em geleias ou purês antes de serem armazenadas.
No Senac, segundo Vicentini, as aulas práticas de gastronomia incluem a pesagem dos ingredientes que seriam descartados. Cascas de ovo, cebola e alho, entre outros resíduos, são destinados à compostagem em uma horta mantida em parceria com outra área de atuação da instituição. Posteriormente, o adubo produzido é apresentado aos alunos.
O docente também recomenda consultar uma tabela de sazonalidade para identificar os períodos mais adequados para a compra de frutas, legumes, verduras e peixes. Segundo ele, a ferramenta ajuda a aproveitar os alimentos em suas melhores épocas e pode evitar compras por valores mais altos.



