O Dia Nacional da Adoção, celebrado no domingo (25), reacendeu o debate sobre os desafios enfrentados por crianças e adolescentes que aguardam por uma família no Brasil. Apesar de haver pelo menos cinco pretendentes para cada menor disponível para adoção, muitos jovens seguem sem perspectivas de encontrar um novo lar por conta do perfil considerado fora do padrão mais procurado.
Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, Dr. Paulo César Gentile, a cidade tem histórico positivo na colocação de crianças e adolescentes em famílias adotivas, inclusive em casos considerados mais complexos, como grupos de irmãos, adolescentes e menores com necessidades especiais.
“O público mais procurado ainda é o de bebês e crianças pequenas, mas Ribeirão Preto sempre teve um trabalho muito forte para superar esse desafio”, afirmou o magistrado em entrevista à CBN Ribeirão.
Perfil procurado
De acordo com o juiz, o principal entrave para os processos de adoção não está na burocracia, mas nos conceitos equivocados que ainda cercam o tema. Ele explica que muitos pretendentes acreditam que o processo é lento e complicado, quando, na prática, a demora costuma estar relacionada à espera por um perfil específico de criança.
“Nove em cada dez pretendentes à adoção buscam crianças recém-nascidas. Como o número de bebês disponíveis é menor, naturalmente a espera acaba sendo maior”, explicou.
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Paulo Gentile destacou ainda que o processo de habilitação para adoção é gratuito, simples e pode ser iniciado diretamente no Fórum da cidade, sem necessidade obrigatória de advogado.
O magistrado também reforçou que o sistema nacional de adoção permite que famílias de diferentes cidades e estados adotem crianças cadastradas em qualquer região do país. Segundo ele, o cadastro municipal alimenta sistemas estaduais e nacionais para ampliar as possibilidades de encaminhamento.
Aproximação
O juiz defendeu que os pretendentes estejam abertos a conhecer crianças com perfis diferentes daqueles inicialmente planejados. Segundo ele, muitas adoções acontecem a partir da convivência e da criação de vínculos afetivos inesperados.
“As pessoas precisam ousar conhecer crianças maiores, adolescentes, grupos de irmãos. Muitas vezes, numa simples troca de olhar, nasce uma relação de afeto que não estava planejada”, afirmou.
Ele orienta que interessados em iniciar o processo procurem diretamente a Vara da Infância e Juventude da cidade onde moram para obter informações e iniciar a habilitação.
Para o magistrado, o Dia Nacional da Adoção é uma oportunidade de ampliar a reflexão sobre o tema e incentivar novas famílias a considerarem a adoção.
Busca ativa
Em todo o país, milhares de crianças e adolescentes considerados “invisíveis” seguem aguardando por adoção. São menores juridicamente aptos a ganharem uma nova família, mas que permanecem nos abrigos por não se enquadrarem no perfil mais buscado pelos pretendentes.
Segundo Paulo Gentile, a aproximação das famílias com a realidade dos abrigos pode ser fundamental para transformar essa situação e ampliar as possibilidades de adoção.



