O envelhecimento saudável depende de hábitos adotados ao longo da vida, e não apenas de cuidados iniciados quando a pessoa chega à terceira idade. Em entrevista à CBN Ribeirão, o médico geriatra André Junqueira destacou a importância da atividade física, alimentação equilibrada, sono, vínculos sociais e acompanhamento da saúde para preservar a autonomia e a qualidade de vida.
Segundo o especialista, o aumento da expectativa de vida não significa necessariamente que as pessoas estejam envelhecendo com mais qualidade. Com os avanços da medicina, doenças que antes provocavam mortes precoces passaram a ser controladas, mas muitos pacientes sobrevivem com condições crônicas que podem gerar limitações ao longo dos anos.
Para o geriatra, o desafio atual é fazer com que o aumento da longevidade seja acompanhado por mais autonomia e disposição. Ele afirma que o processo de envelhecimento é contínuo e que as escolhas feitas, principalmente a partir dos 30, 40 e 50 anos, podem influenciar a saúde na maturidade.
Atividade física
Entre os cuidados para um envelhecimento saudável, André Junqueira aponta a atividade física como uma das principais intervenções. Segundo ele, além de contribuir para a saúde, os exercícios ajudam a preservar a autonomia para realizar tarefas do cotidiano.
O geriatra recomenda combinar atividades aeróbicas, como caminhada, com exercícios de força e equilíbrio. Ele cita musculação e pilates como exemplos e destaca que não existe uma idade específica para começar a se exercitar.
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O especialista também ressalta a importância do sono, da alimentação equilibrada, de não fumar e de moderar o consumo de álcool. Para ele, esses hábitos devem fazer parte da rotina antes mesmo da chegada à terceira idade.
Vida social
Além dos cuidados físicos, manter vínculos sociais também é considerado fundamental para um envelhecimento saudável. De acordo com o geriatra, amizades, convivência familiar e atividades que promovam interação ajudam na valorização pessoal e também oferecem estímulo cognitivo.
André Junqueira afirma que a família tem papel importante nesse processo, principalmente para evitar o isolamento social. Ele recomenda que os idosos mantenham compromissos e atividades, como frequentar uma academia, participar de atividades religiosas e cultivar amizades.
O médico também chama a atenção para sinais que não devem ser simplesmente atribuídos à idade, como quedas recorrentes, perda de peso não intencional, confusão repentina e dificuldades para realizar atividades que antes eram feitas de forma independente.
Uso de remédios
O acompanhamento dos medicamentos também merece atenção, principalmente entre idosos que utilizam vários remédios. O geriatra explica que a chamada polifarmácia pode envolver medicamentos que interagem entre si e gerar problemas.
Uma das recomendações é levar ao médico uma lista dos medicamentos utilizados ou as próprias caixas dos remédios. Segundo André Junqueira, é importante questionar periodicamente a necessidade de manter cada medicamento e por quanto tempo ele deve ser utilizado.
O especialista também destaca o conceito de desprescrição, que consiste na retirada ou redução de medicamentos quando eles deixam de fazer sentido diante do contexto de vida e da idade do paciente. Ele afirma que há casos de pessoas de 80 ou 90 anos que continuam utilizando remédios sem benefício, o que pode gerar impactos farmacológicos, financeiros e sociais.
Para chegar aos 70 e 80 anos com mais vitalidade, o geriatra resume cinco recomendações principais: manter-se fisicamente ativo, combinando caminhada com exercícios de força e equilíbrio; priorizar uma alimentação de qualidade, com ingestão equilibrada de carboidratos, proteínas e fibras; dormir bem; não fumar e moderar o consumo de álcool; e cultivar vínculos sociais e estímulos cognitivos contínuos.



