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Estudante faz ‘vaquinha virtual’ para comparecer em banca em São Paulo e comprovar que é pardo

Igor Reis, de Guariba, está matriculado no curso de enfermagem da USP; advogada Mariana Pita fala do assunto
Estudante faz vaquinha virtual para comparecer
Igor Reis, de Guariba, está matriculado no curso de enfermagem da USP; advogada Mariana Pita fala do assunto

Igor Reis, de Guariba, está matriculado no curso de enfermagem da USP; advogada Mariana Pita fala do assunto

Um estudante de Guariba, identificado como Igor Reis, mobilizou doações por meio de uma vaquinha virtual para custear a viagem até a Universidade de São Paulo (USP) e participar de uma banca presencial de heteroidentificação. O jovem havia sido aprovado e matriculado no curso de enfermagem, mas foi convocado posteriormente para comprovar, presencialmente, que se enquadra na categoria pardo prevista nas políticas de cotas.

O caso e a convocação

Segundo relatos, Igor chegou a frequentar aulas depois da matrícula, quando recebeu a chamada para comparecer à comissão de heteroidentificação da instituição. O episódio reacendeu debates sobre a forma e o momento em que universidades e outros órgãos realizam a verificação da autodeclaração racial, sobretudo quando a convocação ocorre após a efetivação da matrícula.

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Como funciona a heteroidentificação

A heteroidentificação é um procedimento previsto em editais de seleção que busca confirmar a autodeclaração racial feita pelo candidato. Inicialmente, a identificação é feita pelo próprio interessado na ficha de inscrição — opções comuns incluem branco, negro, pardo, amarelo e indígena — e, em seguida, a instituição pode exigir documentos complementares ou uma avaliação presencial por uma comissão especializada. Essa verificação tem caráter fenotípico: a comissão avalia características físicas para definir se o candidato corresponde ao grupo social ao qual se diz pertencer.

Para a advogada Mariana Pita, ouvida pela reportagem, trata‑se de uma política pública voltada a ampliar o acesso de grupos historicamente excluídos. Ela ressalta, porém, que o critério é social e não científico: não há teste genético que comprove raça ou cor; a avaliação depende da percepção e da subjetividade de avaliadores, o que exige cuidado para evitar injustiças.

Impactos, recursos e alternativas administrativas

Profissionais ou candidatos submetidos a esse tipo de verificação podem sentir exposição e constrangimento, sobretudo quando a convocação exige deslocamento de outra cidade e acontece depois do início das aulas. Mariana Pita destaca que, apesar da necessidade de coibir fraudes e garantir eficácia das ações afirmativas, existem alternativas administrativas para reduzir danos, como entrevistas por meios eletrônicos e a conclusão do processo seletivo antes do início das atividades acadêmicas.

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Do ponto de vista jurídico, quem se sentir prejudicado pode buscar recursos previstos no próprio edital e, em última instância, medidas judiciais, como mandado de segurança, apresentando documentos e provas que contestem a decisão da comissão.

O episódio envolvendo o estudante de Guariba volta a colocar na pauta a tensão entre a busca por mecanismos de verificação das cotas e o respeito à dignidade e à acessibilidade dos candidatos, além de evidenciar a necessidade de procedimentos claros e menos excludentes por parte das instituições.

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