Um estudo apresentado ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo aponta que o Aquífero Guarani tem capacidade para continuar sustentando o abastecimento de Ribeirão Preto e acompanhar o crescimento da cidade até pelo menos 2050. A avaliação, no entanto, destaca a necessidade de planejamento e de medidas para preservar a fonte de água.
Segundo o engenheiro civil e especialista em abastecimento, Carlos Alencastre, o estudo foi conduzido pelo professor Ricardo Hirata, referência internacional e consultor do Banco Mundial. A pesquisa recomenda mudanças na distribuição das captações e a continuidade de ações para reduzir o rebaixamento do aquífero.
Novos poços
Uma das principais recomendações é reduzir a concentração de poços na região central de Ribeirão Preto, especialmente dentro do Anel Viário e na área próxima à Anhanguera. A orientação é direcionar novas perfurações para regiões ainda pouco exploradas e ocupadas da cidade.
Alencastre explica que a distância entre os poços também é importante para evitar interferências entre as captações. Segundo ele, é estabelecida uma distância de mil metros para cada novo poço, justamente para diminuir o impacto sobre o aquífero.
A estratégia, de acordo com o especialista, permitiria prolongar a capacidade de abastecimento da cidade exclusivamente pelo Aquífero Guarani. A preocupação com o rebaixamento da reserva hídrica é estudada há mais de 20 anos, e desde 2006 existe uma restrição à perfuração de novos poços em Ribeirão Preto, renovada a cada dois anos.
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Uso da água
O estudo também aponta a necessidade de manter ações para reduzir as perdas no sistema de abastecimento. Entre as medidas estão a diminuição da injeção direta de água na rede pelos poços atuais, o abastecimento por gravidade a partir de reservatórios elevados e a continuidade da setorização da distribuição.
Outra recomendação é substituir redes antigas e desgastadas, que contribuem para o desperdício, além de modernizar e substituir poços que já não atendem adequadamente às demandas locais.
Alencastre também destacou a importância da educação ambiental para reduzir o consumo. Segundo ele, Ribeirão Preto apresenta um consumo elevado de água por habitante e ainda existe uma cultura de que o recurso é abundante e pode ser utilizado sem preocupação.
O especialista defendeu campanhas de conscientização voltadas não apenas às crianças, mas também aos adultos, para estimular o uso responsável da água e contribuir para a preservação do Aquífero Guarani.



