A indústria calçadista de Franca, conhecida nacionalmente pela produção de calçados, enfrenta o desafio de atrair profissionais mais jovens. Um levantamento do Instituto de Economia da Associação do Comércio e Indústria de Franca (ACIF) aponta que o município tem 13.187 empregos formais no setor, mas mais da metade dos trabalhadores tem entre 40 e 59 anos. Os jovens de até 24 anos representam pouco mais de 12% da mão de obra.
Segundo o economista da ACIF, Rodrigo Souza, o perfil está relacionado à experiência acumulada pelos profissionais mais velhos, que conhecem diferentes etapas da produção. Ao mesmo tempo, os jovens que ingressam no mercado de trabalho buscam oportunidades ligadas à tecnologia, perspectivas de crescimento profissional e remuneração compatível com suas expectativas.
Mão de obra
De acordo com o levantamento, o salário médio mensal dos trabalhadores formais da indústria calçadista de Franca é de R$ 2.756,82. Para Souza, além da remuneração inicial, as possibilidades de desenvolvimento profissional influenciam a decisão dos jovens na escolha de uma carreira.
O empresário Elisson Reinaldi, proprietário de uma fábrica de calçados e há 38 anos no setor, também aponta dificuldades para manter as equipes. Segundo ele, a falta de pedidos constantes prejudica a continuidade da produção e dificulta a contratação e a permanência dos trabalhadores. A oscilação da demanda e os salários baixos estão entre os fatores que, na avaliação dele, afetam a atração de mão de obra.
Aline Borges, de 28 anos, entrou na indústria calçadista aos 16, depois de fazer um curso de design de calçados no Senai. A escolha também tem relação com a história familiar: o pai dela trabalhou como sapateiro e sustentou a casa com o salário da profissão. Para Aline, melhorar a remuneração é fundamental para incentivar a entrada de mais jovens no setor.
Leia também
Perfil do setor
O levantamento da ACIF mostra ainda que as mulheres representam 45% dos trabalhadores formais da indústria calçadista de Franca. O tempo médio de permanência no emprego é de aproximadamente três anos e meio.
Além dos postos de trabalho formais, o município tem mais de 3 mil empresas ativas no segmento. Desse total, 41,4% são microempreendedores individuais (MEIs). Para o economista Rodrigo Souza, os números mostram que o empreendedorismo também contribui para manter a atividade calçadista e abrir oportunidades de negócio na cidade.
No Dia do Sapateiro, celebrado em 25 de outubro, os dados destacam os desafios de uma atividade ligada à história e à identidade de Franca. A atração de novos profissionais passa, segundo os entrevistados, pela valorização da mão de obra, pela melhoria da remuneração e por condições que ofereçam maior estabilidade e perspectivas de carreira.



