O legado de Candido Portinari chegou à China com a exposição “Brasil de Portinari”, aberta no Museu Nacional da China, em Pequim. A mostra integra o Ano da Cultura e do Turismo Brasil-China e apresenta 56 obras originais do artista brasileiro ao público asiático até o dia 10 de outubro.
Segundo João Candido Portinari, filho do pintor e diretor do Projeto Portinari, esta é a primeira vez que a obra do artista é exibida na Ásia. A expectativa é que a exposição receba cerca de 4 milhões de visitantes ao longo dos quatro meses de duração, considerando o fluxo diário de aproximadamente 30 mil pessoas no museu.
A seleção reúne algumas das obras mais importantes da carreira de Portinari e busca apresentar aos chineses a visão do artista sobre o Brasil, destacando temas ligados ao povo, ao trabalho, à infância e à cultura brasileira.
Obras históricas
Entre os destaques da exposição está a obra “Retirantes”, cuja abertura da caixa de transporte emocionou a equipe responsável pela montagem. Segundo João Candido, o momento foi acompanhado por especialistas chineses e marcou uma das etapas mais simbólicas da preparação da mostra.
Os painéis “Guerra e Paz”, considerados por Portinari a obra mais importante de sua trajetória, não foram transportados para a China. No entanto, a exposição apresenta as maquetes produzidas pelo artista durante o processo de criação dos trabalhos destinados à sede da Organização das Nações Unidas (ONU).
A mostra também reúne empréstimos de importantes instituições brasileiras, como o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o Museu Nacional de Belas Artes e os Museus Castro Maia, além de coleções particulares.

Brasil retratado
A proposta da exposição é apresentar o Brasil retratado pelos olhos de Portinari. Entre as obras citadas por João Candido está uma cena de crianças brincando na praça central de Brodowski, com a Igreja Matriz ao fundo, local que marcou a infância do artista.
Segundo ele, a mostra leva à China elementos que dialogam diretamente com a trajetória de Portinari, como a valorização do trabalhador, a origem rural, a importância da família e temas ligados à justiça social e à paz.
A exposição também inclui uma experiência digital imersiva desenvolvida pelo cenógrafo e curador Marcelo Dantas. A instalação utiliza projeções monumentais e música brasileira para apresentar a dimensão artística da obra de Portinari ao público visitante.
Missão cumprida
João Candido acompanha de perto a montagem da exposição em Pequim e classificou a realização do projeto como um sonho construído ao longo de décadas. Segundo ele, a ideia de levar a obra de Portinari à China surgiu ainda em 2004, durante a Bienal de São Paulo.
Para o diretor do Projeto Portinari, a exposição ocorre em um momento de aproximação cultural entre Brasil e China e reforça o intercâmbio entre os dois países por meio da arte.
A expectativa é que o público chinês se identifique com aspectos presentes na obra de Portinari, como a valorização do trabalho, das raízes familiares e das origens ligadas ao campo, características que, segundo ele, também fazem parte da história chinesa.



