A busca por mais tempo livre, flexibilidade e qualidade de vida vem ganhando espaço nas decisões profissionais. Segundo a executiva de recursos humanos e especialista em gestão de pessoas Jaciane Rizzioli, trabalhadores estão mais dispostos a considerar esses fatores, mesmo que isso signifique abrir mão de parte da remuneração.
Para a especialista, o tempo passou a ser percebido como um ativo cada vez mais importante. A transformação também é influenciada pelo avanço da tecnologia, pelas mudanças no comportamento social e pelas condições do mercado de trabalho.
Jaciane afirma que empresas precisam ampliar a forma de enxergar a relação com os funcionários diante dessas mudanças. Ela cita índices crescentes de turnover e absenteísmo como sinais de que modelos tradicionais podem não responder mais às expectativas de parte dos profissionais.
Novos modelos
A discussão sobre a relação com o trabalho vai além das escalas e da quantidade de dias trabalhados, segundo Jaciane. Ela cita a chamada Gig Economy, que permite a atuação em diferentes empresas e experiências, além do recebimento pelo trabalho realizado.
Outro aspecto apontado pela especialista é a menor tolerância a ambientes considerados tóxicos. Para ela, parte dos profissionais também busca experimentar diferentes empresas, culturas e áreas, em vez de manter necessariamente um vínculo tradicional e único.
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Nesse cenário, as áreas de recursos humanos precisam acompanhar as mudanças de comportamento para tornar as empresas mais atrativas aos profissionais. A especialista defende que as organizações discutam novos modelos sem deixar de considerar os resultados e a sustentabilidade dos negócios.
Pressão financeira
A mudança na relação com o trabalho também pode ser influenciada pela situação financeira dos trabalhadores. Jaciane afirma que o endividamento e o acesso ao crédito podem levar profissionais a buscar outras fontes de renda, como empreendedorismo e trabalhos por diária.
Ela cita como exemplo trabalhadores que recebem salário comprometido por descontos e empréstimos consignados. Segundo a especialista, isso pode gerar a percepção de que o valor recebido pelo trabalho é menor e estimular a busca por alternativas de renda.
Para Jaciane, a falta de educação financeira também contribui para esse cenário e começa a impactar as empresas. Ela defende que os empregadores analisem os dados e estudem alternativas para tentar equilibrar as necessidades dos trabalhadores e os resultados das organizações.
Relação de trabalho
Para a especialista, a transformação na relação entre pessoas, tempo e trabalho já está em andamento e exige mudanças na forma como as empresas lidam com seus profissionais.
Ela afirma que a busca por liberdade e qualidade de vida convive com necessidades financeiras e que esses fatores precisam ser considerados conjuntamente na construção de novas formas de trabalho.



