O Brasil chegou a quase 84 milhões de pessoas inadimplentes em agosto, segundo o dado mais recente da Serasa citado durante entrevista à CBN. O cenário tem impacto direto no orçamento das famílias e reduz o dinheiro disponível para o consumo, afetando também o comércio e os pequenos negócios.
Para o consultor econômico José Rita Moreira, o problema não está necessariamente em ter dívidas, mas na dificuldade de honrar os compromissos. Segundo ele, quando os juros permanecem elevados e o consumidor começa a recorrer a novos empréstimos para pagar despesas do dia a dia, o endividamento pode aumentar ainda mais.
O especialista também citou índices de inadimplência em cidades da região. Serrana aparece com 57,7%, seguida por Jardinópolis e Sertãozinho, com 52%, Cravinhos, com 51%, e Ribeirão Preto, com 50,8%. Barretos, Franca e outras cidades também foram mencionadas, enquanto Jaboticabal apresentou o menor índice citado, de 47,3%.
Efeito no consumo
Segundo José Rita, o brasileiro utiliza o crédito para diferentes tipos de compras, desde eletrodomésticos e automóveis até produtos de menor valor. O problema começa quando as dívidas ficam mais caras por causa dos juros e o consumidor deixa de conseguir pagá-las.
Nesse cenário, o consumidor pode deixar de fazer compras consideradas necessárias e reduzir o consumo no comércio. Para o consultor, a retração também atinge a indústria e provoca um efeito em cadeia na economia, especialmente em um país baseado no consumo.
Leia também
O especialista avalia que o cenário atual é agravado pela manutenção de juros elevados e pelo nível de endividamento. Com mais inadimplência, segundo ele, os bancos ficam mais receosos em conceder crédito e podem cobrar taxas maiores pelo risco.
Como negociar
Para quem já está endividado, principalmente com cartão de crédito e cheque especial, José Rita orienta que o consumidor procure os bancos e tente renegociar os débitos. Uma das alternativas citadas é trocar uma dívida mais cara por crédito pessoal, que, segundo ele, possui juros menores.
A recomendação é combinar a renegociação com uma redução significativa das despesas e estabelecer um prazo que permita quitar a dívida sem comprometer novamente o orçamento. O consultor também sugere buscar uma segunda fonte de renda ou alternativas para aumentar os recursos disponíveis.
Segundo José Rita, o consumidor não deve ignorar o problema. Para ele, buscar uma solução e se organizar financeiramente são medidas necessárias para recuperar o equilíbrio do orçamento.
Cartão e apostas
Questionado sobre o impacto das apostas online nas finanças, o consultor avaliou que o fim das bets pode solucionar apenas parte do problema. Segundo ele, pessoas que desenvolveram o hábito de apostar podem migrar para plataformas informais, o que dificulta prever os efeitos da medida.
José Rita também destacou a necessidade de planejamento em mudanças relacionadas ao setor e afirmou que hábitos de consumo não são alterados imediatamente.
Sobre as dívidas, o consultor apontou cartão de crédito e cheque especial como modalidades especialmente preocupantes por oferecerem crédito fácil e, segundo ele, caro. No caso do cartão, uma negociação pode resultar na redução de juros e multas e permitir o parcelamento do valor devido.
A recomendação, porém, é escolher um acordo que caiba no orçamento. Caso o consumidor deixe de pagar as parcelas negociadas, a dívida pode voltar a se tornar um problema.



