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Inteligência artificial desafia escolas a repensar ensino e formação de professores

Especialista defende uso da IA como ferramenta de apoio e destaca necessidade de preparar educadores para lidar com a tecnologia em sala de aula
inteligência artificial
Supatman de Getty Images / Canva

A inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes e impõe novos desafios para escolas, professores e gestores da educação. Para o especialista em avaliação e regulação da educação superior, Antônio Esteca, a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta de apoio, sem substituir o trabalho pedagógico e as atividades que dependem das capacidades humanas.

Em entrevista à CBN, Esteca afirmou que a presença da inteligência artificial no ambiente escolar exige uma adaptação das práticas de ensino. Segundo ele, os estudantes precisam desenvolver discernimento para entender em quais situações a tecnologia pode contribuir e quais atividades devem continuar sendo realizadas por eles.

O especialista também destacou a necessidade de formação continuada para os professores e de um equilíbrio no uso das plataformas digitais, especialmente na rede pública.

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Uso da IA

Para o especialista, a inteligência artificial pode aumentar a produtividade em determinadas atividades, mas não deve ser tratada como única fonte de conhecimento dos estudantes. Ele comparou a tecnologia ao uso da calculadora em problemas matemáticos, destacando que a IA pode entregar respostas, mas é necessário preservar o desenvolvimento de habilidades próprias dos seres humanos.

Segundo o especialista, o professor também precisa conhecer as ferramentas de inteligência artificial generativa utilizadas pelos alunos. A familiaridade com essas tecnologias, de acordo com Esteca, é necessária para que os educadores consigam propor atividades e desafios que não sejam resolvidos simplesmente com o uso da IA.

O Ministério da Educação já publicou diretrizes para a aplicação da inteligência artificial nos espaços escolares e também para instituições de educação superior. Para que essas orientações sejam colocadas em prática, porém, Esteca considera necessário o envolvimento de gestores, diretores, coordenadores e supervisores, além da oferta de formação continuada aos professores.

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Papel docente

Na avaliação do especialista, a inteligência artificial não deve substituir o professor. Pelo contrário, a tecnologia pode permitir que o educador tenha mais tempo para desenvolver atividades de aprendizagem, dinâmicas de grupo e metodologias que dependem da interação entre os estudantes.

Esteca também criticou o excesso de utilização de plataformas digitais na educação pública do estado de São Paulo. Segundo ele, o processo de plataformização acabou ocupando um espaço que deveria ser destinado ao trabalho pedagógico e à autonomia dos professores.

“Eu sou muito a favor das plataformas, mas a dose de utilização tem que ser revista, está sendo demais”, destaca o especialista.

Formação

Para o especialista, a adaptação à inteligência artificial exige que os professores tenham contato com as novas ferramentas e sejam preparados para utilizá-las de maneira adequada. A formação continuada aparece, nesse cenário, como uma etapa necessária para que as diretrizes sejam efetivamente aplicadas nas escolas.

Esteca também defendeu que a tecnologia seja utilizada para ampliar as possibilidades de aprendizagem, e não para eliminar atividades que desenvolvem capacidades humanas. Entre os aspectos que, segundo ele, devem continuar tendo espaço no trabalho docente, estão a empatia e a organização de dinâmicas voltadas à aprendizagem.

A discussão sobre inteligência artificial na educação ganhou espaço durante a programação relacionada à Feira Internacional do Livro, em Ribeirão Preto, em meio ao debate sobre as transformações na forma de estudar e ensinar.

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