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Justiça de Ribeirão Preto manda mulher a júri por suspeita de envenenar companheiro

Larissa de Sousa Batista é acusada de colocar veneno em um copo de açaí; decisão também mantém prisão preventiva
Justiça
Reprodução

A Justiça de Ribeirão Preto decidiu que Larissa de Sousa Batista será julgada pelo Tribunal do Júri pela suspeita de tentar matar o companheiro com veneno colocado em um copo de açaí. A decisão foi proferida nesta sexta-feira (2) e também manteve a prisão preventiva da mulher, que está presa desde abril.

O caso aconteceu em 5 de fevereiro, quando Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos, passou mal após consumir um açaí comprado por ele e por Larissa. Segundo a investigação, ele apresentou sonolência, salivação excessiva, dificuldade para respirar e perdeu a consciência. Adenilson ficou cinco dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A perícia identificou no alimento o terbufós, um inseticida organofosforado altamente tóxico. As investigações passaram a apontar Larissa como suspeita de colocar a substância no açaí.

Acusação

Segundo a investigação, imagens de câmeras de segurança do estabelecimento mostram que os dois copos de açaí foram preparados normalmente. Já imagens de uma câmera próxima à casa do casal teriam registrado Larissa com um pequeno recipiente e um dos copos de açaí.

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Ainda de acordo com a análise das imagens, ela teria colocado o conteúdo no alimento antes de entregá-lo a Adenilson. A defesa nega que Larissa tenha colocado veneno no açaí.

Durante a audiência de instrução, Larissa afirmou que o conteúdo colocado no copo era leite condensado. Ela também negou ter colocado veneno ou agrotóxico no alimento e disse que, após chegarem em casa, Adenilson começou a sentir a garganta travar.

Provas

A decisão da Justiça também rejeitou o argumento da defesa de que a cadeia de custódia do copo de açaí teria sido quebrada. A magistrada reconheceu que o recipiente passou por outras mãos antes de chegar à polícia, mas entendeu que isso não invalida automaticamente a prova.

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A juíza considerou ainda outros elementos apresentados no processo, como o estado de saúde de Adenilson, exames médicos e imagens de câmeras. A decisão também cita a restauração do celular de Larissa para os padrões de fábrica no dia da busca policial realizada na residência do casal.

O Ministério Público manteve a acusação de tentativa de homicídio qualificado por quatro circunstâncias: emprego de veneno, meio cruel, dissimulação e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

Prisão

A Justiça também rejeitou o pedido da defesa para que a acusação fosse transformada em lesão corporal grave, sob o argumento de que não teria havido intenção de matar.

A prisão preventiva de Larissa foi mantida. Segundo a decisão, ela teria deixado o imóvel às pressas e ficado hospedada em um hotel na região do Jardim Paulista, utilizando um documento falso. A polícia teria localizado a mulher após rastrear um pedido de comida feito por aplicativo de delivery.

Adenilson, por sua vez, afirmou em depoimento que não acredita que Larissa tenha colocado o veneno no açaí e disse que não tem medo dela. Os dois, segundo o depoimento apresentado na reportagem, continuam mantendo contato e têm interesse em continuar o relacionamento.

A data do Tribunal do Júri ainda não foi definida. A decisão cabe recurso, e a defesa de Larissa poderá recorrer ao Tribunal de Justiça. Segundo o Ministério Público, em caso de recurso, a expectativa é pela manutenção da decisão que determina que ela seja julgada pelo júri popular.

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