O Ministério Público abriu um inquérito para apurar a morte da bebê Antonela Lima Melo, de apenas 7 meses, em Jaboticabal. A criança morreu no dia 1º de junho após esperar cerca de 24 horas por uma vaga de internação em uma UTI pediátrica da região.
O caso, acompanhado pela CBN Ribeirão, também é investigado pela Polícia Civil. O Ministério Público já solicitou informações à Prefeitura de Jaboticabal sobre todo o atendimento prestado à bebê, que morreu dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município.
Vagas
Antonela foi atendida pela primeira vez na UPA de Jaboticabal no dia 29 de maio. Segundo a mãe, Luana Costa, o diagnóstico inicial foi de influenza. Após receber alta, a bebê continuou apresentando dificuldades respiratórias e retornou à unidade duas vezes no dia 31 de maio.
A partir desse momento, começou a busca por uma vaga para atendimento especializado. Durante o período de espera, foram realizados 14 pedidos de internação em UTI pediátrica pelo sistema estadual de regulação de vagas.
A morte foi constatada na noite de 1º de junho, às 22h47, dentro da própria UPA. No atestado de óbito constam síndrome respiratória aguda grave e bronquiolite.
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Saúde
Hospitais da região consultados durante a regulação alegaram falta de leitos. O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto informou que sua UTI pediátrica estava completamente ocupada. A Santa Casa de Ribeirão Preto afirmou operar com capacidade máxima no atendimento infantil.
Já a Santa Casa de Jaboticabal informou não possuir UTI pediátrica. Em Matão, a orientação foi de que o caso fosse encaminhado a um hospital de referência.
Em Sertãozinho, a Santa Casa chegou a sinalizar a possibilidade de receber Antonela por meio da chamada “vaga zero”, mecanismo utilizado em emergências mesmo sem leitos disponíveis. No entanto, a transferência não foi concretizada.
Investigação
Segundo a Santa Casa de Sertãozinho, a unidade foi informada de que não havia ambulância em Jaboticabal para realizar o transporte da bebê. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Jaboticabal afirma que havia condições de transporte.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que Antonela foi inserida no sistema de regulação na noite de 31 de maio e que uma vaga foi encontrada no dia seguinte. O problema, segundo o levantamento, é que a transferência só foi viabilizada cerca de 20 horas após a chegada da criança à UPA.
Antonela morreu duas horas depois da vaga ter sido disponibilizada, sem sequer ter sido transportada.
Para o médico especialista em saúde pública, José Sebastião dos Santos, o caso é gravíssimo e expõe falhas de cooperação entre os serviços de saúde da região, apesar da ampla estrutura hospitalar disponível em Ribeirão Preto e cidades vizinhas.



