O debate sobre o uso excessivo das telas entre crianças e adolescentes tem levado educadores a buscar novas estratégias de aprendizagem dentro das salas de aula. Em vez de apostar apenas na proibição, escolas e universidades têm adotado metodologias que aproximam os estudantes da lógica usada pelos computadores, estimulando o chamado pensamento computacional.
A proposta é ensinar os jovens a organizar informações, interpretar cenários e resolver problemas de maneira estruturada, assim como acontece em sistemas computacionais. Especialistas defendem que essa abordagem pode contribuir para um uso mais consciente da tecnologia e também para o desenvolvimento de habilidades fundamentais para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.
Ensino ativo
O pensamento computacional vai além da programação e das linhas de código. A lógica consiste em organizar informações, cruzar dados e tomar decisões, de forma semelhante ao funcionamento de um computador. Educadores afirmam que essa capacidade também pode ser treinada pela mente humana.
Uma das metodologias utilizadas para estimular esse aprendizado é o RPG educacional, conhecido como “role playing game”. Em cursos de relações internacionais, por exemplo, estudantes participam de simulações inspiradas nos debates da Organização das Nações Unidas (ONU), assumindo o papel de diplomatas para discutir problemas globais como crise climática, segurança alimentar e direitos humanos.
A coordenadora do curso de relações internacionais da FACAMP, Patrícia Rinaldi, explica que a experiência promove uma imersão completa e desenvolve competências importantes para a formação dos alunos.
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Habilidades humanas
Segundo especialistas, atividades colaborativas ajudam os estudantes a desenvolver competências consideradas essenciais no século XXI. Entre elas estão comunicação interpessoal, trabalho em grupo, flexibilidade, resiliência e pensamento crítico.
Patrícia Rinaldi destaca que essas habilidades são justamente as mais difíceis de serem substituídas pela inteligência artificial. Para ela, profissionais preparados para lidar com diversidade de opiniões e resolução coletiva de problemas tendem a ocupar melhores posições no mercado de trabalho.
A formadora de professores na área de tecnologia da regional de ensino Campinas Leste, Vanessa Soares, também defende que metodologias ativas ajudam a identificar talentos e despertar o interesse dos estudantes por diferentes áreas do conhecimento.
Educação digital
Educadores apontam que criar experiências significativas fora das telas pode ser uma das formas mais eficientes de ensinar o uso equilibrado da tecnologia. A proposta é aproximar os alunos de situações reais, com desafios que estimulem criatividade, autonomia e capacidade de resolver problemas.
O pensamento computacional também aparece alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê o desenvolvimento de competências relacionadas à tecnologia e à resolução de situações do cotidiano.



