Após mais de 12 horas de julgamento, o policial militar Maicon Oliveira Santos foi condenado a 48 anos de prisão em regime fechado pela morte de Júlia Ferraz, de 27 anos, atingida por uma bala perdida em agosto de 2023, na Avenida Independência, em Ribeirão Preto.
O júri popular teve início na manhã de segunda-feira (2) e terminou por volta das 23h. Maicon foi condenado por homicídio qualificado consumado e duas tentativas de homicídio qualificadas. Após a sentença, ele deixou o Fórum de Ribeirão Preto preso e foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista.
Julgamento
Durante o julgamento, foram ouvidas cinco testemunhas de acusação e cinco de defesa, além das manifestações do Ministério Público e dos advogados envolvidos no caso.
Maicon chegou a ser preso na época do crime, mas respondia ao processo em liberdade e exercia funções administrativas na Polícia Militar. Segundo a acusação, ele efetuou disparos na Avenida Independência, atingindo Júlia, que deixava uma casa noturna, e ferindo outros dois jovens.
O advogado da família da vítima, Maurício Lins, afirmou, em nota, que a gravidade do caso justificava a condenação e destacou que não percebe arrependimento por parte do réu diante das consequências provocadas à família de Júlia.
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Versões opostas
A defesa do policial sustentou que ele agiu em legítima defesa após uma suposta tentativa de assalto praticada por dois homens que estavam em uma motocicleta. Segundo o advogado João Carlos Campanini, Santos reagiu ao que acreditava ser uma ação criminosa.
Já a acusação contestou essa versão. O advogado Luiz Perrone, que representa um dos jovens envolvidos na ocorrência, afirmou que as imagens de câmeras de segurança e as perícias realizadas durante a investigação contradizem o relato apresentado pelo policial.
Segundo Perrone, os jurados analisaram as provas e concluíram que não havia elementos que sustentassem a alegação de tentativa de assalto. Ele também afirmou que uma testemunha considerada importante para a defesa não compareceu ao julgamento, apesar de intimada judicialmente.
Recurso anunciado
Durante o julgamento, a defesa apresentou uma nova tese, segundo a qual o disparo que matou Júlia não teria partido da arma de Maicon. O argumento foi contestado pela acusação, que afirmou não haver qualquer elemento nos autos que sustentasse essa hipótese.
Após a condenação, os advogados do policial informaram que irão recorrer da decisão judicial.
O caso teve grande repercussão em Ribeirão Preto desde agosto de 2023, quando Júlia Ferraz foi atingida por um disparo enquanto deixava uma casa noturna na Avenida Independência.



