O primeiro namoro dos filhos costuma despertar dúvidas, inseguranças e até ciúmes nos pais. Em meio às comemorações do Dia dos Namorados, a CBN Ribeirão Preto conversou com a médica psiquiatra especialista em crianças e adolescentes, Maria Priscila Cescato, sobre como as famílias podem lidar com esse momento delicado do desenvolvimento.
Segundo a especialista, não existe uma idade exata para que crianças e adolescentes comecem a namorar. O mais importante é compreender o contexto, o nível de maturidade emocional e a dinâmica de cada família, respeitando as individualidades de cada núcleo familiar.
Idade certa
De acordo com a psiquiatra, entre crianças mais novas, principalmente por volta dos 8 ou 9 anos, o chamado “namoro” costuma ter um caráter mais platônico, ligado à amizade, admiração e afeto, sem necessariamente representar um relacionamento amoroso propriamente dito.
Ela explica que, em geral, o namoro como relação afetiva mais estruturada tende a surgir a partir do início da adolescência. Ainda assim, cada caso deve ser avaliado de forma individual, sem regras rígidas ou padronizações.
Papel dos pais
A especialista afirma que a reação dos pais diante da notícia de que o filho ou filha está namorando varia muito conforme a estrutura familiar. Algumas famílias são mais abertas e acolhem naturalmente os amigos e parceiros dentro de casa. Outras preferem manter mais distância por receio de envolvimentos afetivos intensos.
Maria Priscila destaca que o mais importante é evitar posturas de rejeição excessiva. Segundo ela, quanto mais os pais reprimem ou rejeitam o tema, menos espaço os filhos sentem para conversar sobre sentimentos, dúvidas e experiências.
Ela também alerta para padrões machistas ainda presentes na sociedade, em que meninos costumam ter maior liberdade afetiva, enquanto meninas são frequentemente cobradas a serem mais “reservadas”. Para a médica, essa visão limita o desenvolvimento emocional e a expressão saudável dos sentimentos.
Diálogo e sexualidade
Quando o assunto é sexualidade, a orientação é manter um diálogo aberto, mas sem invasão. A especialista recomenda que os pais observem sinais de curiosidade e demandas naturais da criança ou adolescente antes de introduzir conversas mais profundas sobre relações sexuais.
Ela reforça que o diálogo deve acontecer de maneira respeitosa, sem transformar o tema em tabu ou associá-lo a culpa, vergonha ou medo. Segundo a psiquiatra, conversas sobre afeto, respeito e consentimento são fundamentais para o desenvolvimento emocional saudável.
A médica também ressalta que os pais precisam compreender que o primeiro namoro representa uma nova fase não apenas para os filhos, mas para toda a família. Isso pode despertar conflitos antigos, medos e inseguranças nos próprios adultos, exigindo maturidade emocional para lidar com a mudança.



