A psoríase é uma doença inflamatória crônica que afeta a pele e pode atingir também o couro cabeludo, as unhas e as articulações. Apesar de não ser contagiosa, a condição ainda é cercada por preconceito e desinformação, principalmente por causa das lesões visíveis. O alerta foi feito pelo dermatologista Weber Coelho em entrevista à CBN nesta quinta-feira (29), Dia Mundial e Nacional da Psoríase.
Segundo o médico, a doença tem origem multifatorial e está relacionada a fatores genéticos, histórico familiar e estilo de vida. Estresse, ansiedade, obesidade, tabagismo, sedentarismo e diabetes também podem estar associados ao quadro e influenciar a evolução da inflamação.
Coelho explica que a psoríase costuma provocar placas avermelhadas com descamação mais intensa, principalmente nos cotovelos e joelhos, mas também pode aparecer em outras partes do corpo. No couro cabeludo, as lesões podem ser confundidas com caspa. Por isso, é importante procurar avaliação médica para diferenciar a doença de alergias, dermatites e micoses, que podem apresentar sintomas semelhantes.
Sem contágio
O dermatologista ressalta que a psoríase não é transmitida pelo contato físico. Não há risco de contágio ao tocar, abraçar ou conviver com uma pessoa que tenha a doença.
O preconceito, de acordo com o especialista, está relacionado à falta de informação sobre as causas e as características das lesões. Como elas podem atingir áreas visíveis do corpo, algumas pessoas acabam evitando o contato com os pacientes.
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Além dos efeitos na pele, a condição pode afetar a autoestima, os relacionamentos e a saúde emocional. Coelho explica que esse impacto pode formar um ciclo em que o sofrimento psicológico contribui para agravar a doença, enquanto o aumento das lesões intensifica o desconforto emocional.
A psoríase também pode atingir as articulações e provocar a chamada artrite psoriática. O quadro causa inflamação, dores e, com a evolução da doença, pode levar a deformidades e dificuldades para realizar atividades cotidianas e trabalhar. O diagnóstico precoce e o início do tratamento ajudam a reduzir o risco de evolução para essa complicação.
Tratamento
Embora ainda não tenha cura, a psoríase conta com tratamentos capazes de controlar a inflamação e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A escolha depende da gravidade da doença e das áreas afetadas.
Nos casos leves, o tratamento pode envolver cremes específicos e medicamentos de uso tópico. A fototerapia, que utiliza luz para tratar as lesões, também pode ser indicada. Já nos quadros moderados ou graves, especialmente quando há comprometimento extenso da pele, das unhas ou das articulações, o médico pode recomendar medicamentos sistêmicos e imunobiológicos.
Segundo Coelho, o controle da doença também exige cuidados com o estilo de vida, incluindo alimentação adequada, controle do peso e atenção à saúde mental. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico pode fazer parte da estratégia de tratamento.
O especialista reforça ainda a importância de evitar a automedicação. O uso de produtos indicados para outras doenças de pele, como micoses, pode agravar a inflamação quando o problema é psoríase.
Por isso, diante de manchas persistentes, avermelhadas e com descamação, a recomendação é procurar um dermatologista para obter o diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado.



