Quadrilhas especializadas em roubos a bancos passaram a adotar uma nova estratégia na região, segundo investigação da Polícia Civil e do Gaeco. Em vez de atacar cofres para levar dinheiro em espécie, criminosos monitoram funcionários, levantam dados pessoais e planejam sequestros para obrigar as vítimas a realizar transferências bancárias milionárias.
O delegado Heitor Moreira Assis classifica esse novo modelo de atuação como “novo cangaço digital”. Uma investigação identificou uma organização criminosa que planejava atacar uma agência bancária em Cravinhos em junho de 2025. O grupo teria preparado pistolas, fuzis, explosivos, veículos roubados e até carros blindados para executar a ação.
Plano criminoso
Áudios interceptados durante a investigação mostram integrantes da quadrilha discutindo detalhes do plano. Em uma das gravações, um homem conhecido como Mariguela, apontado pela polícia como um dos líderes do grupo, aparece visitando a região e avaliando a capacidade da agência de movimentar grandes quantias.
Segundo o inquérito, o objetivo era obrigar funcionários a realizar transferências que poderiam chegar a R$ 30 milhões. Para isso, os criminosos passaram a monitorar a rotina dos trabalhadores. Vídeos encontrados em celulares apreendidos mostram funcionários sendo filmados sem saber da vigilância.
Os investigadores também encontraram indícios de obtenção ilegal de dados pessoais dos empregados. Conversas extraídas de celulares mostram integrantes trocando informações sobre o gerente da agência e pedindo que outros integrantes levantassem mais detalhes sobre ele em redes sociais.
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Estrutura do grupo
As investigações apontaram ainda que a organização se preparava para outras ações criminosas. Entre os materiais apreendidos estava um bilhete atribuído à esposa de um dos líderes, com uma consulta sobre o aluguel de um veículo blindado de luxo por um mês.
Outras conversas interceptadas indicam que integrantes planejavam buscar veículos blindados em Paraisópolis, na capital paulista, além de coletes balísticos e fuzis. De acordo com o delegado, o grupo tinha uma estrutura organizada, com funções específicas para cada integrante.
O plano de ataque à agência de Cravinhos foi interrompido em 9 de junho de 2025, um dia antes da data prevista para a ação. Na ocasião, policiais militares realizavam uma blitz na Rodovia Anhanguera quando deram ordem de parada a um veículo ocupado por Francisco e outro suspeito identificado como Thiago. Os dois desobedeceram e tentaram fugir, mas foram presos após uma perseguição.
Prisões e denúncias
As investigações levaram os policiais até um imóvel utilizado pelo grupo em Cravinhos. No local, foram encontrados armamentos, veículos roubados e celulares. O conteúdo dos aparelhos revelou detalhes do planejamento e ajudou na identificação de outros integrantes.
Oito meses depois das primeiras prisões, em fevereiro de 2026, as polícias Civil e Militar, com apoio do Gaeco, realizaram uma operação para cumprir 10 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. Novos equipamentos eletrônicos foram recolhidos e ainda são analisados pelos investigadores.
Ao todo, 18 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público e se tornaram rés na Justiça. Parte dos investigados responde por crimes como organização criminosa, receptação e posse ilegal de arma de fogo. Em nota, a defesa de Francisco afirmou que ele é inocente e negou participação nos fatos narrados na denúncia. As investigações continuam para analisar o material apreendido, identificar possíveis novos integrantes da organização criminosa e esclarecer a participação de cada suspeito nas ações planejadas.



