Apesar de aparecer com indicadores positivos em diferentes áreas do Índice de Progresso Social (IPS), Ribeirão Preto e municípios da região tiveram desempenho inferior à média nacional no critério oportunidades, eixo que mede condições relacionadas a direitos, inclusão social e acesso ao ensino superior.
O indicador considera fatores como direitos e liberdades individuais, paridade de gênero na representação política, violência contra mulheres e população negra e acesso à educação superior. Segundo a análise apresentada na entrevista, municípios da região ficaram abaixo dos 46,82 pontos nesse recorte. Para o sociólogo Wlaumir Sousa, os dados revelam fragilidades estruturais ligadas à desigualdade social, à concentração de renda e às dificuldades de mobilidade social.
Desigualdade social
Na avaliação apresentada pelo professor, os resultados refletem um cenário em que o crescimento econômico não necessariamente amplia o acesso às oportunidades para toda a população.
Segundo ele, apesar da presença de universidades e faculdades na região e da existência de políticas públicas voltadas ao acesso ao ensino superior, os indicadores mostram que ainda não há ingresso suficiente para alterar significativamente os índices. O sociólogo também relaciona os resultados ao perfil econômico regional e ao baixo poder de renda da população, apontando que a concentração de riqueza reduz as possibilidades de ascensão social.
Acesso à educação
Entre os critérios analisados pelo estudo está o acesso ao ensino superior, considerando indicadores como número de homens e mulheres empregados com formação universitária e desempenho no Enem.
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No recorte citado durante a entrevista, cidades da região apresentaram notas inferiores em comparação com outros indicadores do próprio levantamento. Serra Azul registrou 37,61 pontos e Guatapará, 38,11. Ribeirão Preto alcançou 54,54 pontos nesse eixo, enquanto Franca e Barretos ficaram com 45,30 e 43,29 pontos, respectivamente.
Durante a análise, o professor destacou que municípios menores enfrentam obstáculos adicionais, como limitações de transporte e dependência econômica de poucos empregadores, fatores que podem dificultar a continuidade dos estudos.
Outro ponto discutido foi a utilização dos dados como ferramenta para planejamento e formulação de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades. Na entrevista, também foram mencionados desafios relacionados ao acesso à assistência social, moradia, creches, distribuição de renda e inclusão de grupos historicamente mais vulneráveis. Segundo o sociólogo, indicadores como o IPS ajudam a ampliar a leitura sobre as necessidades da população e podem orientar ações voltadas à educação, inclusão e ampliação de oportunidades.



