São Paulo já tem uma pessoa com 60 anos ou mais para cada pessoa com menos de 15 anos. O estado soma cerca de 8,4 milhões de idosos, segundo dados da Fundação Seade mencionados na entrevista, e as mulheres são maioria nessa faixa etária. A mudança representa uma transformação importante na estrutura da população paulista.
Em 1950, eram 11,6 idosos para cada 100 crianças. Agora, a proporção chegou a um idoso para cada pessoa com menos de 15 anos. Para o sociólogo Valmir Souza, convidado para comentar os dados, a tendência é de que a população idosa continue crescendo e possa superar numericamente a população jovem.
Segundo o professor, o envelhecimento da população é resultado de um processo histórico que envolve principalmente a redução da natalidade e o aumento da expectativa de vida. Ele também destacou diferenças relacionadas a classe social, gênero e raça na forma como a população envelhece.
Menos nascimentos
Valmir Souza relacionou a queda da natalidade a mudanças sociais e econômicas, entre elas a maior possibilidade de as mulheres controlarem quando ter filhos e a entrada feminina no mercado de trabalho. Segundo ele, o avanço da medicina também contribuiu para que as mulheres tenham filhos mais tarde e, em muitos casos, tenham menos crianças.
O sociólogo afirmou que, enquanto nas décadas de 1970 e 1980 ainda eram comuns famílias maiores, a quantidade de filhos foi diminuindo ao longo das décadas. Para ele, a tendência de redução da natalidade é um processo que não deve ser revertido.
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Ao mesmo tempo, os avanços da medicina e o acesso a tratamentos preventivos contribuíram para o aumento da longevidade. O professor ressaltou, porém, que esse envelhecimento ocorre de maneira diferente entre grupos sociais, com diferenças relacionadas à condição econômica, gênero e raça.
Vida mais longa
De acordo com Valmir, as mulheres tendem a viver mais do que os homens, entre outros fatores, porque os homens estariam mais expostos a situações de violência e acidentes e costumam procurar atendimento médico mais tarde. Ele também destacou a importância da sociabilidade para a qualidade de vida na terceira idade.
O professor citou grupos de convivência, atividades religiosas, saraus e outras formas de participação social como espaços que podem contribuir para reduzir a solidão entre idosos. Também defendeu maior atenção à saúde preventiva e mencionou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) nesse processo.
Na avaliação do sociólogo, as desigualdades raciais e econômicas também interferem na longevidade. Ele afirmou que a população negra enfrenta maior mortalidade e apontou, como fatores, diferenças de acesso à saúde e à formação de profissionais para o atendimento de doenças que podem apresentar características específicas conforme a população.
Políticas públicas
Com o crescimento da população idosa, Valmir Souza defendeu que diferentes setores da sociedade passem a considerar esse público no planejamento de produtos, serviços, turismo, saúde e educação. Ele citou como exemplo o projeto da terceira idade da Universidade de São Paulo (USP), que oferece atividades e cursos para esse grupo.
O sociólogo também afirmou que as políticas públicas precisam considerar questões relacionadas à aposentadoria e às condições de vida na velhice. Ao abordar o tema, apresentou uma análise sobre diferentes modelos políticos e econômicos e defendeu a adoção de políticas sociais para lidar com o envelhecimento da população.
Para Valmir, o envelhecimento demográfico exige organização da sociedade e planejamento público diante de uma população que terá cada vez mais pessoas com 60 anos ou mais. Segundo ele, os dados demográficos são importantes justamente para orientar a formulação dessas políticas.



