A obesidade infantil afeta uma em cada 10 crianças no mundo e tem se tornado motivo de preocupação entre profissionais da saúde. Além do aumento nos diagnósticos entre crianças e adolescentes, a doença pode desencadear uma série de problemas ao longo da vida, como hipertensão, diabetes, alterações no colesterol e doenças osteoarticulares.
No Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho, especialistas reforçam que a obesidade é uma doença crônica, mas que, quando identificada e tratada ainda na infância, pode ter seus impactos reduzidos significativamente na vida adulta.
Segundo a pediatra Thaís Milioni, do Grupo São Lucas, o período infantil oferece uma oportunidade importante para reverter quadros de excesso de peso por meio do equilíbrio entre crescimento, alimentação adequada e hábitos saudáveis.
Tratamento precoce
De acordo com a médica, uma das principais vantagens do tratamento da obesidade na infância é a possibilidade de equilibrar peso e estatura durante o crescimento. Isso permite que muitas crianças alcancem a vida adulta sem obesidade e com menor risco de desenvolver doenças associadas.
A especialista explica que, quando o excesso de peso é controlado precocemente, os riscos de hipertensão, diabetes, dislipidemias e problemas osteoarticulares podem ser reduzidos a níveis semelhantes aos de pessoas que nunca apresentaram obesidade.
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Para a pediatra, a conscientização sobre a doença é fundamental para que pais e responsáveis compreendam a importância de buscar acompanhamento e adotar medidas preventivas desde os primeiros sinais.
Alimentação saudável
A alimentação é apontada como um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento da obesidade infantil. Segundo Thaís Milioni, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está diretamente associado ao aumento dos casos da doença.
A médica destaca que o tratamento da obesidade não depende apenas da criança, mas de toda a família. Segundo ela, mudanças nos hábitos alimentares precisam envolver todos os moradores da casa para que os resultados sejam efetivos e duradouros.
A especialista ressalta que uma alimentação equilibrada não precisa ser complexa. Alimentos tradicionais da dieta brasileira, como arroz, feijão, carnes, saladas, frutas e derivados lácteos, são suficientes para fornecer os nutrientes necessários e contribuir para a manutenção de um peso adequado.
Riscos e medicamentos
Além dos hábitos alimentares, fatores genéticos também podem aumentar o risco de obesidade e de doenças relacionadas. Casos de diabetes tipo 2 e colesterol elevado na família exigem atenção redobrada, já que essas condições podem surgir ainda na infância.
Segundo a pediatra, o diabetes tipo 2, historicamente mais comum em adultos, tem sido observado com maior frequência entre crianças e adolescentes, cenário que está associado ao aumento dos casos de obesidade.
A médica também explicou que medicamentos utilizados para o controle de peso já possuem autorização para uso em determinadas faixas etárias. A semaglutida está aprovada no Brasil para pacientes a partir dos 12 anos, enquanto a tirzepatida foi liberada para uso a partir dos 10 anos em casos específicos relacionados ao diabetes tipo 2. Segundo ela, estudos seguem em andamento para ampliar as possibilidades de tratamento precoce da obesidade infantil.



