O câncer de estômago pode começar com sintomas comuns, como queimação, dor e desconforto abdominal, que muitas vezes são confundidos com gastrite ou úlcera. Segundo o oncologista Carlos Fruet, essa semelhança pode contribuir para o atraso no diagnóstico da doença.
Em Ribeirão Preto, o câncer gástrico foi o sexto tipo de tumor que mais provocou mortes na última década. No Brasil, são estimados mais de 22 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, de acordo com informações mencionadas na entrevista.
O especialista orienta que sintomas persistentes precisam ser investigados, principalmente quando aparecem associados a sinais como emagrecimento sem causa definida, vômitos com sangue ou fezes muito escuras. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as possibilidades de tratamento e de cura.
Sinais de alerta
A dor ou queimação na chamada boca do estômago está entre os sintomas que podem aparecer no início do câncer gástrico. O paciente também pode apresentar episódios de vômito, inclusive com sangue, além de fezes muito escuras, que podem indicar sangramento no estômago.
A perda de peso sem uma causa específica também é considerada um sinal de alerta. Carlos Fruet explica que, quando esses sintomas persistem por cerca de 10 dias a duas semanas, é importante procurar atendimento médico para investigação.
Leia também
O médico ressalta ainda que, diferentemente do câncer de intestino, não há recomendação para que pessoas sem sintomas façam endoscopias de rotina como forma de rastreamento do câncer de estômago. A investigação é indicada quando existem sinais que precisam ser esclarecidos.
Diagnóstico
A endoscopia é o principal exame utilizado na investigação. O procedimento permite visualizar o esôfago, o estômago e a primeira porção do intestino e, quando é identificada alguma alteração, pode ser realizada uma biópsia para análise do material.
Segundo o oncologista, a infecção pela bactéria H. pylori também é um importante fator de risco para o câncer de estômago. Quando a bactéria é identificada durante a investigação, mesmo sem a presença de câncer, é necessário realizar tratamento para eliminá-la.
Carlos Fruet alerta para o risco da automedicação. O uso de antiácidos ou medicamentos como omeprazol pode aliviar os sintomas, mas, quando a queimação, a dor ou outros sinais passam a se repetir, a pessoa deve procurar avaliação médica em vez de tratar o problema por conta própria.
Prevenção
O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de cura e pode reduzir a necessidade de tratamentos mais agressivos. Em casos identificados em estágio inicial, segundo o médico, pode ser possível realizar uma cirurgia menor, com retirada de uma parte reduzida do estômago.
Entre os fatores de risco citados pelo especialista estão obesidade, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, tabagismo e infecção pela H. pylori. Hábitos alimentares também devem ser considerados na prevenção e nos cuidados com a saúde.
O oncologista reforça que sintomas persistentes não devem ser atribuídos automaticamente à gastrite ou ao refluxo. A investigação médica é necessária para identificar a causa do problema e, quando houver uma doença mais grave, permitir que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível.



