Mais de 33 mil brasileiras são diagnosticadas todos os anos com os quatro principais tipos de câncer ginecológico: colo do útero, endométrio, ovário e vulva. Em entrevista à CBN Ribeirão, a oncologista Isabela Carlotti, do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, destacou a importância da prevenção, da vacinação contra o HPV e do diagnóstico precoce.
Segundo a médica, o câncer do colo do útero ainda é um dos principais cânceres ginecológicos entre as mulheres no Brasil. Em Ribeirão Preto, ele também aparece como o principal entre os tumores ginecológicos atendidos no HC. Mais da metade dos casos recebidos pelo hospital, de acordo com a oncologista, chega em estágio avançado, enquanto apenas 28% a 30% são identificados inicialmente.
A especialista afirma que existem duas estratégias principais para mudar esse cenário. A vacinação contra o HPV é fundamental para a prevenção a longo prazo, enquanto o rastreamento permite identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento antes do avanço da doença.
Prevenção
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde. Segundo Isabela, meninas e meninos de 9 a 19 anos podem receber a imunização, dentro da faixa etária mencionada durante a entrevista. A médica ressalta que a vacinação na adolescência aumenta a proteção porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
A oncologista também destaca a importância do exame de rastreamento. A partir dos 25 anos, as mulheres devem iniciar o acompanhamento, mesmo quando não apresentam sintomas. O exame tradicional de Papanicolau vem sendo substituído gradualmente pelo teste de DNA do HPV, considerado mais sensível, e já está disponível em cinco unidades básicas de saúde de Ribeirão Preto, segundo a médica.
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Para Isabela, além da oferta dos exames e da vacina, é necessário organizar o atendimento para aumentar a adesão das mulheres ao rastreamento. A proposta é que o sistema consiga convocar ativamente as pacientes, sem depender apenas da procura espontânea pelos serviços de saúde.
Tratamento
Os quatro principais tipos de câncer ginecológico possuem características e tratamentos diferentes. No câncer do colo do útero, podem ser utilizados cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Já o câncer de endométrio é tratado, na maioria dos casos, com cirurgia, enquanto radioterapia e quimioterapia são utilizadas principalmente em situações mais avançadas.
A médica destaca ainda que o câncer de endométrio está diretamente relacionado à obesidade como um dos principais fatores de risco. Manter o peso adequado, praticar atividade física e ter uma alimentação equilibrada são medidas que podem contribuir para a prevenção desse e de outros tipos de câncer.
No câncer de ovário, a quimioterapia tem papel importante. Apesar das diferenças entre os tumores, a oncologista ressalta que a descoberta precoce reduz a agressividade do tratamento e o impacto na qualidade de vida das pacientes. Segundo ela, o SUS dispõe de cirurgia, radioterapia e quimioterapia para o tratamento desses tumores.
Sinais
Entre os principais sinais de alerta estão sangramento vaginal anormal, fora do período menstrual ou após a menopausa, corrimento com cheiro mais forte, aumento do volume abdominal, sensação de empachamento e dor pélvica constante.
Também podem indicar a necessidade de avaliação médica dor durante a relação sexual, ferida que não cicatriza na vulva, perda de peso sem explicação, cansaço e alterações intestinais ou urinárias.
A orientação é procurar atendimento médico diante desses sinais e manter os exames preventivos em dia. Para a oncologista, quanto mais cedo os tumores ginecológicos são identificados, maiores são as possibilidades de tratamento e menor tende a ser o impacto sobre a qualidade de vida.



