O número de denúncias de trabalho infantil mais que dobrou no interior de São Paulo em 2026, acendendo um alerta sobre a exploração de crianças e adolescentes. Dados do Ministério Público do Trabalho mostram que, entre janeiro e maio, foram registradas 448 denúncias no interior paulista, um aumento de 102% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na região de Ribeirão Preto, o crescimento foi ainda mais expressivo. As denúncias saltaram de 22 para 75 nos cinco primeiros meses do ano, representando alta de 245%. O tema ganha ainda mais relevância nesta sexta-feira (12), data em que é celebrado o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.
Cenário
Segundo a juíza da Vara da Infância e Juventude do Trabalho, Márcia Mendes, os dados interrompem uma tendência de queda observada nos últimos anos e revelam que o problema segue grave. Ela destaca que o trabalho infantil continua sendo uma “chaga social” que exige vigilância permanente do poder público e da sociedade.
Além disso, um dado preocupa especialmente: entre os mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho no Brasil, cerca de 560 mil estão em atividades consideradas perigosas, insalubres ou degradantes, classificadas pela Organização Internacional do Trabalho como as piores formas de trabalho infantil.
Aumento
De acordo com Márcia, o aumento das denúncias pode ser explicado por dois fatores: a persistência do problema e o fortalecimento das ações de conscientização.
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Em Ribeirão Preto, o Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil tem intensificado campanhas educativas e de orientação, o que pode ter incentivado mais pessoas a denunciarem casos de exploração.
Segundo a magistrada, à medida que a população compreende que crianças não devem trabalhar e que o lugar delas é na escola, a tendência é que os casos sejam mais facilmente identificados e reportados.
Aprendizagem
A legislação brasileira proíbe o trabalho para menores de 16 anos, exceto na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. Nesse modelo, adolescentes podem ingressar no mercado de trabalho por meio da aprendizagem profissional, em uma modalidade protegida que garante formação técnica, acompanhamento social e permanência obrigatória na escola.
Márcia reforça que o programa Jovem Aprendiz é uma das principais ferramentas para romper o ciclo intergeracional da pobreza. Ela também fez um apelo aos empresários para que cumpram a cota legal de contratação de aprendizes, destacando que a medida beneficia empresas, jovens e toda a sociedade.
Como denunciar
Casos de trabalho infantil podem ser denunciados de forma anônima e gratuita por diferentes canais:
- Disque 100
- Redes sociais e canais oficiais do Ministério Público do Trabalho
- Ministério do Trabalho e Emprego
- Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil
Após a denúncia, a rede de proteção social, formada por órgãos como CRAS, CREAS e assistência social, atua para acolher a criança ou adolescente e oferecer suporte à família. Segundo a juíza, combater o trabalho infantil é uma responsabilidade coletiva.



