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Doação de órgãos pode salvar até oito vidas, mas recusa familiar ainda é desafio

Especialista destaca importância de falar sobre a doação de órgãos em vida e comunicar o desejo aos familiares para facilitar a decisão após a morte
Doação
sturti de Getty Images Signature/Canva

A fila de transplantes no Brasil tem mais de 45 mil pessoas, segundo o médico nefrologista Felipe Miranda Bernardes. Cerca de 90% dos pacientes aguardam um transplante de rim, órgão que concentra a maior demanda entre os transplantes realizados no país.

O especialista explica que a necessidade de transplantes está relacionada à prevalência das doenças renais. Segundo ele, cerca de 10% da população brasileira apresenta algum grau de doença renal, muitas vezes sem diagnóstico, e parte dos pacientes pode evoluir para a necessidade de um transplante.

Para Bernardes, além de ampliar o número de doações, é fundamental falar sobre o assunto antes de uma situação de morte. A recusa familiar ainda dificulta a efetivação das doações, principalmente quando a vontade do potencial doador não foi comunicada previamente aos familiares.

Fila de transplantes

De acordo com o nefrologista, aproximadamente 93% dos pacientes que estão na fila de transplantes aguardam um rim. No Brasil, cerca de 150 mil pessoas fazem algum tipo de diálise, enquanto menos de 40 mil estão na fila para um transplante renal.

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O médico explica que, no caso dos rins, existem tratamentos como a hemodiálise e a diálise peritoneal, que conseguem dar suporte ao paciente enquanto ele aguarda um transplante. Para órgãos como fígado, pulmão e coração, porém, as alternativas de suporte à vida são mais limitadas, o que aumenta a urgência em determinados casos.

O fígado aparece na sequência entre os órgãos transplantados, com 2.573 procedimentos e crescimento de quase 5%, conforme os dados mencionados durante a entrevista.

Decisão da família

Para Felipe Miranda Bernardes, um dos principais obstáculos para a doação de órgãos é a dificuldade de falar sobre a morte e sobre o desejo de doar. Segundo ele, mitos relacionados ao transplante também contribuem para esse cenário.

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O médico ressalta que a pessoa interessada em ser doadora deve comunicar essa vontade aos familiares, como pais, filhos, companheiro ou companheira. Isso porque, no momento da morte, a decisão sobre a doação pode recair sobre a família, que estará enfrentando uma situação de grande impacto emocional.

Segundo o especialista, a cada 14 potenciais doadores, apenas dois efetivamente realizam a doação. Por isso, ele defende que o tema seja discutido em situações cotidianas, como uma conversa em família, para que a vontade do possível doador fique clara antes de uma eventual situação de perda.

Solidariedade

O nefrologista destaca que uma única doação pode beneficiar até oito pessoas. Para ele, falar sobre doação de órgãos também significa discutir solidariedade e a possibilidade de ajudar alguém que aguarda um transplante.

Bernardes também avalia que o Brasil tem um programa público de transplantes com números expressivos, mas ainda precisa ampliar o acesso em outras regiões. Segundo ele, há concentração de transplantes principalmente no Sudeste, e o desafio é melhorar a logística e aumentar a oferta de órgãos em todo o país.

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