O empréstimo pessoal ficou mais caro em setembro, segundo levantamento do Procon citado na entrevista. A taxa média passou de 8,23% para 8,66% ao mês, uma alta de 0,43 ponto percentual.
Para a educadora financeira Ana Rosa Vilches, o aumento ganha importância quando aplicado a valores elevados e contratos de longo prazo. Ela alerta que consumidores não devem analisar apenas o tamanho da parcela, mas considerar o custo total da dívida e entender o motivo que levou à necessidade de buscar crédito.
Custo da dívida
Segundo Ana Rosa, o empréstimo consignado pode trazer uma sensação inicial de alívio porque o dinheiro é depositado na conta e as parcelas são descontadas diretamente do salário. O problema aparece posteriormente, quando o comprometimento da renda começa a pesar no orçamento.
A especialista afirma que muitas pessoas não retiram mentalmente do orçamento o valor que já está comprometido com o consignado e continuam considerando que recebem a mesma renda disponível para gastos. Com isso, podem recorrer novamente ao crédito quando o dinheiro começa a faltar.
Ela também chama atenção para o risco de usar um empréstimo para quitar outro. Embora o consignado geralmente tenha juros menores que o empréstimo pessoal e o cheque especial, a contratação precisa estar associada a um planejamento para evitar a formação de um ciclo de dívidas.
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Planejamento financeiro
A educadora financeira destaca que compras parceladas também podem contribuir para o endividamento, porque o consumidor tende a considerar apenas o valor da parcela. Uma compra de R$ 1 mil, dividida em dez vezes, por exemplo, pode ser percebida como um gasto de R$ 100 por mês, embora o compromisso total seja de R$ 1 mil.
Para evitar esse processo, Ana Rosa recomenda começar por um diagnóstico financeiro. O consumidor deve identificar quanto efetivamente entra na renda da casa, quais são os gastos, quais despesas são necessárias e quais podem ser reduzidas ou eliminadas.
Segundo ela, pequenos gastos recorrentes também precisam entrar na conta, como corridas de aplicativo e pedidos de comida. A orientação é registrar todas as despesas durante um mês para compreender o caminho percorrido pelo dinheiro.
Sair das dívidas
A especialista defende que o planejamento financeiro também deve incluir sonhos e objetivos pessoais. Definir uma realização ajuda a estabelecer prioridades e reduzir gastos aleatórios, segundo ela.
Ana Rosa também afirma que é possível poupar mesmo durante um período de endividamento, desde que isso seja feito de maneira consciente e dentro das possibilidades do orçamento. A orientação é identificar as dívidas e estabelecer quais serão pagas primeiro.
Ela estima que, dependendo do nível de endividamento, uma pessoa pode levar de seis a dez meses para sair do ciclo de empréstimos e reorganizar o padrão de vida. A recomendação é viver um pouco abaixo do próprio padrão de renda para conseguir poupar e planejar realizações futuras.



