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Saúde mental de caminhoneiros exige atenção a sono, estresse e uso de substâncias

Psiquiatra alerta para impactos da rotina nas estradas e orienta categoria a manter acompanhamento médico, atividade física e apoio psicológico
SAÚDE
Komkrich Marom de Getty Images/Canva

A rotina de longas viagens, isolamento, sono irregular, alimentação inadequada e estresse pode afetar a saúde mental e física dos caminhoneiros. No Dia do Caminhoneiro, celebrado nesta quarta-feira (16), a psiquiatra Célia Regina Barreto Bianco, médica da Unimed de Ribeirão Preto, alertou para a importância de a categoria manter uma rotina de cuidados.

Segundo a especialista, a profissão exige muito do corpo e da mente. A carga horária puxada, o risco de acidentes e assaltos, problemas com o caminhão e a distância da família são fatores que podem contribuir para quadros de ansiedade, irritabilidade, sintomas depressivos e burnout.

Rotina desgastante

A psiquiatra afirma que os caminhoneiros precisam planejar os cuidados com a saúde desde o início da profissão. A recomendação é realizar anualmente exames gerais, além do exame toxicológico obrigatório, para acompanhar indicadores como glicemia e colesterol e avaliar as condições do fígado, rins e coração.

O estresse prolongado pode provocar impactos no organismo e contribuir para problemas como aumento da glicemia, hipertensão e doenças cardíacas. Paralelamente, alterações emocionais podem aparecer mais rapidamente, principalmente quando há isolamento e privação de sono.

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Segundo Célia, dormir mal por períodos prolongados pode trazer consequências para a saúde. Ela também orienta que os profissionais mantenham atividade física, evitem o excesso de alimentos gordurosos e reduzam o consumo de cigarro.

Saúde mental

A distância da família e a solidão também fazem parte da rotina de muitos caminhoneiros, especialmente daqueles que passam semanas ou meses fora de casa. Para a psiquiatra, manter uma rede de apoio com familiares, amigos e colegas pode contribuir para melhorar a qualidade de vida.

Uma das alternativas apontadas pela especialista é a psicoterapia on-line. O atendimento pode ser realizado durante uma pausa em um posto, por exemplo, permitindo que o caminhoneiro tenha acompanhamento psicológico mesmo quando está longe da cidade onde mora.

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A telemedicina também pode facilitar o acompanhamento médico. A profissional explica que consultas podem ser feitas pela internet, enquanto exames como coleta de sangue e eletrocardiograma podem ser realizados em diferentes cidades durante as viagens.

Uso de substâncias

Outro ponto de preocupação é o uso de substâncias para permanecer acordado ou aumentar a capacidade de concentração durante as viagens. Célia cita o consumo excessivo de cafeína e energéticos, além de medicamentos e substâncias psicotrópicas.

Segundo a psiquiatra, algumas dessas substâncias podem aumentar o estado de alerta e o foco no trabalho, mas também prejudicar o sono e provocar consequências para a saúde mental, como transtornos de ansiedade e crises de pânico.

O consumo de bebida alcoólica também merece atenção. De acordo com a especialista, alguns profissionais podem recorrer ao álcool durante os períodos de folga, mas o consumo excessivo pode trazer consequências no dia seguinte e a médio prazo.

Para Célia, é importante que os caminhoneiros não sejam tratados como máquinas capazes de permanecer em atividade continuamente. Assim como os veículos precisam de manutenção, os profissionais também precisam cuidar do próprio corpo e respeitar os períodos de descanso.

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