Estar endividado não significa necessariamente falta de controle financeiro. Dívidas podem fazer parte de decisões planejadas, como financiar uma casa, investir na formação profissional ou abrir um negócio. O problema, segundo o especialista em educação financeira Eduardo Cavalheiro, começa quando o crédito passa a ser usado para complementar a renda e pagar despesas do dia a dia.
Em entrevista à CBN, Cavalheiro explicou que a primeira medida para quem está com várias dívidas é revisar os gastos dos últimos meses e identificar o momento em que as despesas passaram a superar a renda. A partir disso, é preciso separar o que é essencial daquilo que pode ser reduzido ou eliminado para liberar recursos para o pagamento dos débitos.
O especialista também destacou a importância de manter uma reserva financeira depois da quitação das dívidas. Segundo ele, o valor que antes era destinado ao pagamento dos débitos pode continuar sendo separado mensalmente para formar um colchão de emergência e evitar o uso recorrente de cartão de crédito ou cheque especial diante de imprevistos.
Revisar gastos
Cavalheiro recomenda colocar todas as despesas no papel e analisar extratos para identificar para onde o dinheiro está indo. Segundo ele, gastos aparentemente pequenos podem representar uma economia significativa quando são eliminados ou reduzidos.
Entre os exemplos estão assinaturas de serviços que muitas vezes são pouco utilizadas. A revisão pode revelar despesas que, somadas, representam um valor que poderia ser utilizado para outras necessidades do orçamento.
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O especialista também alerta para o risco de trocar uma dívida por outra, como pagar a fatura de um cartão com outro cartão ou contratar um novo empréstimo para quitar um anterior. Para ele, esse comportamento pode transformar o endividamento em uma bola de neve.
Renegociação
Na hora de renegociar as dívidas, Cavalheiro orienta o consumidor a analisar não apenas o valor da parcela, mas também o custo total do acordo e os juros envolvidos. Quando há mais de uma dívida, a recomendação é priorizar aquelas com juros mais altos.
O especialista cita o cartão de crédito e o cheque especial entre os créditos mais caros. Segundo ele, quando não é possível quitar todos os débitos, essas dívidas devem receber atenção prioritária para evitar que cresçam rapidamente.
Outro ponto destacado é avaliar a possibilidade de quitar a dívida à vista. De acordo com Cavalheiro, débitos antigos podem apresentar descontos para pagamento integral. Caso o consumidor opte pelo parcelamento, é necessário garantir que a prestação não comprometa completamente o orçamento, deixando espaço para despesas imprevistas.
Família
Quando o endividamento envolve mais de uma pessoa da família, o especialista recomenda que todos participem da reorganização financeira. A redução de gastos, segundo ele, não pode ficar concentrada em apenas um integrante quando a renda e as despesas são compartilhadas.
Cavalheiro também alerta para o cuidado com familiares que ainda possuem acesso ao crédito. Segundo ele, essas pessoas precisam ser preservadas para que possam ser utilizadas como alternativa em uma eventual emergência, evitando que assumam dívidas de outros integrantes e acabem também negativadas.
Apesar das dificuldades, o especialista afirma que quem está endividado não deve abandonar os planos para o futuro. Para ele, o período de reorganização deve ser encarado como uma etapa para recuperar o equilíbrio financeiro, criar uma reserva e, posteriormente, voltar a utilizar o crédito de forma planejada para realizar projetos.



