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‘Esquerdogata’ é condenada por injúria racial e desacato após ocorrência com policiais militares em Ribeirão Preto

Decisão de primeira instância condenou influenciadora a um ano e oito meses de penas, mas punições foram substituídas por medidas alternativas
Esquerdogata
Decisão de primeira instância condenou influenciadora a um ano e oito meses de penas, mas punições foram substituídas por medidas alternativas

A Justiça de Ribeirão Preto condenou a influenciadora Aline Bardy Dutra, conhecida como Esquerdogata, por injúria racial e desacato em um caso ocorrido durante uma abordagem da Polícia Militar no centro da cidade, em outubro do ano passado. Ela foi absolvida da acusação de resistência.

O caso aconteceu na madrugada de 25 de outubro, na Rua Florêncio de Abreu. Segundo a denúncia do Ministério Público, policiais militares realizavam uma fiscalização de trânsito quando Aline se aproximou, começou a filmar a abordagem e passou a discutir com os agentes. Os vídeos da ocorrência foram publicados nas redes sociais.

Durante a discussão, Aline fez uma referência à cor da pele de um dos policiais. Ela também continuou com as ofensas dentro da viatura e, posteriormente, na delegacia. A influenciadora foi presa em flagrante e denunciada pelo Ministério Público pelos crimes de injúria racial, desacato e resistência.

Versão da influenciadora

Durante o processo, Aline prestou depoimento à Justiça e afirmou que estava voltando para casa quando viu uma pessoa em situação de rua e uma viatura policial. Segundo ela, a presença dos policiais fez com que se lembrasse de outro caso envolvendo uma pessoa em situação de rua e, por isso, decidiu filmar a abordagem.

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Sobre a fala considerada injúria racial pelo Ministério Público, Aline negou que tivesse a intenção de ofender o policial por ele ser negro. Ela afirmou que a expressão utilizada representava, na visão dela, uma crítica ao que entendia como falta de união entre pessoas do mesmo grupo.

A influenciadora também reconheceu que exagerou durante a discussão e disse que se arrepende de parte das declarações. Aline afirmou ainda que estava sob efeito de álcool naquela noite e relatou estar em recuperação do alcoolismo há dez meses.

Decisão judicial

Além dos vídeos e dos depoimentos prestados durante o processo, houve uma perícia psiquiátrica. Segundo o laudo mencionado na reportagem, Aline estava sob efeito de álcool na noite dos fatos e tinha a capacidade de autodeterminação prejudicada. O documento, porém, não apontou incapacidade total para compreender o caráter ilícito dos atos.

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Na sentença, a Justiça considerou comprovados os crimes de injúria racial e desacato e absolveu Aline da acusação de resistência. Pela injúria racial, a pena foi de um ano e quatro meses de reclusão, além de seis dias-multa. Pelo desacato, foram estabelecidos mais quatro meses de detenção, totalizando um ano e oito meses de penas privativas de liberdade.

A influenciadora não será presa neste momento. A Justiça estabeleceu regime inicial aberto e substituiu as penas por medidas alternativas, entre elas a prestação de serviços à comunidade e a participação em tratamento relacionado ao consumo de álcool, com comprovação à Justiça.

Defesa pode recorrer

A defesa pediu a absolvição de Aline e sustentou, entre outros argumentos, que a fala considerada racial não teve intenção de ofender o policial por causa da raça. Após a sentença, os advogados afirmaram que receberam a decisão com equilíbrio e que acreditam que ela será reformada pelas instâncias superiores.

A decisão é de primeira instância. Com isso, Aline pode recorrer em liberdade, e o caso ainda pode ser analisado pelo Tribunal de Justiça.


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