Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente e caroços no pescoço estão entre os principais sinais de alerta para o câncer de cabeça e pescoço. A doença registra milhares de novos casos por ano no Brasil e, segundo especialistas, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico em estágio avançado.
Em entrevista à CBN Ribeirão, o médico oncologista Dioésio Andrade explicou que a demora no diagnóstico está relacionada, principalmente, à baixa procura por atendimento médico e à dificuldade de reconhecer sintomas que, muitas vezes, são confundidos com problemas comuns.
Sinais iniciais
De acordo com o oncologista, o grupo engloba tumores que atingem regiões como lábios, gengivas, língua, orofaringe (garganta) e laringe. O principal fator de risco é o tabagismo, embora alguns casos, especialmente os que acometem a orofaringe, também estejam relacionados à infecção pelo HPV.
Entre os sintomas que merecem atenção estão feridas na boca que persistem por mais de uma semana, rouquidão frequente e o aparecimento de caroços no pescoço. Segundo o especialista, qualquer alteração persistente deve ser investigada por um profissional de saúde.
Andrade destacou ainda o papel dos dentistas na identificação precoce da doença. Segundo ele, esses profissionais conseguem reconhecer lesões suspeitas na cavidade oral e, quando necessário, realizar a biópsia para confirmação do diagnóstico.
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Tratamento
O tratamento varia de acordo com a localização e o estágio do tumor. Em casos iniciais, principalmente quando a doença está restrita aos lábios ou à cavidade oral, a cirurgia costuma ser a principal opção.
Já em tumores localizados em regiões mais profundas, como a garganta, a combinação de quimioterapia e radioterapia pode ser indicada para evitar procedimentos cirúrgicos mais extensos. Em situações específicas, a imunoterapia também pode integrar o tratamento.
O médico ressaltou ainda que tumores associados ao HPV costumam apresentar melhor prognóstico quando comparados aos relacionados ao tabagismo.
Prevenção
A principal forma de prevenção é abandonar o cigarro, responsável pela maioria dos casos da doença. O especialista também recomenda atenção aos primeiros sintomas e a realização de consultas médicas e odontológicas regulares para aumentar as chances de diagnóstico precoce.
Segundo Andrade, caroços no pescoço podem estar relacionados a infecções, mas, quando permanecem por mais de uma semana ou dez dias, precisam ser investigados. O mesmo vale para feridas na boca que não cicatrizam e alterações persistentes na voz.



