O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto participa de um estudo do Ministério da Saúde que testa uma polipílula para a prevenção de doenças cardiovasculares e do acidente vascular cerebral (AVC). O medicamento reúne três remédios em baixa dose, sendo dois anti-hipertensivos e uma estatina para controle do colesterol, em um único comprimido de uso diário.
Segundo o neurologista e professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, Octávio Pontes Neto, a proposta é facilitar a adesão ao tratamento, especialmente entre pessoas que precisam tomar vários medicamentos. O estudo pretende incluir 8 mil participantes em todo o país e também vai avaliar possíveis efeitos sobre o declínio cognitivo e a demência.
Em Ribeirão Preto, o HC está recrutando voluntários para a pesquisa. Os participantes serão acompanhados por três anos e, de forma aleatória, receberão a polipílula ou placebo, sem que eles ou a equipe saibam inicialmente qual tratamento foi destinado a cada pessoa.
Polipílula
De acordo com Octávio Pontes Neto, a hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para AVC e também está relacionada ao aumento do risco de declínio cognitivo e demência. O especialista explica que a necessidade de utilizar vários comprimidos pode dificultar a adesão ao tratamento, principalmente entre idosos.
A polipílula testada no estudo combina dois medicamentos para controle da pressão arterial e uma estatina em baixa dose. A estratégia já é utilizada em outros países, segundo o neurologista, e agora está sendo avaliada no Brasil em pessoas com pressão arterial levemente elevada e outros fatores de risco.
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O estudo também vai investigar se o uso prolongado do medicamento pode reduzir, além dos eventos cardiovasculares, o declínio cognitivo. Para isso, os participantes serão acompanhados durante três anos.
Pressão arterial
O neurologista destaca que o aumento da pressão não precisa ser considerado grave para representar um fator de risco ao longo do tempo. Segundo ele, estudos recentes indicam uma relação entre o aumento da pressão arterial e o crescimento do risco de AVC.
Octávio Pontes Neto afirma que, além do tratamento medicamentoso quando indicado, medidas como atividade física regular, alimentação adequada e redução do consumo de sal também têm impacto na prevenção da hipertensão e de suas consequências.
Voluntários
O HC procura pessoas entre 50 e 75 anos com pressão arterial sistólica entre 121 e 139, medida durante a consulta. Segundo os critérios apresentados pelo pesquisador, os interessados não podem ter histórico de AVC ou infarto, diabetes ou colesterol alto claramente diagnosticado, nem fazer tratamento para essas condições.
Também é necessário apresentar pelo menos um fator de risco modificável entre sobrepeso, sedentarismo ou tabagismo. No estudo, o sedentarismo é considerado como a prática de menos de 150 minutos de atividade física por semana.
Os interessados podem entrar em contato por telefone ou WhatsApp pelo número (51) 99935-6911. Uma equipe fará uma triagem inicial para verificar possíveis contraindicações e, posteriormente, poderá marcar uma avaliação na clínica do HC.
Segundo o neurologista, os voluntários terão acompanhamento regular de uma equipe especializada durante a pesquisa, inclusive aqueles que forem destinados ao grupo placebo. Os medicamentos utilizados no estudo também serão fornecidos gratuitamente aos participantes.



