Um homem de 23 anos foi preso em flagrante na manhã desta quarta-feira (28), em Ribeirão Preto, suspeito de desenvolver e vender programas utilizados para invadir sistemas bancários e extrair dados sigilosos de clientes. A prisão ocorreu durante a Operação Verifect, deflagrada pela 2ª Delegacia de Crimes Cibernéticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da capital paulista.
A investigação começou após denúncias de duas instituições financeiras, que identificaram dois suspeitos de comercializar ferramentas de invasão: um em Ribeirão Preto e outro em Três Corações, no sul de Minas Gerais. Segundo a polícia, os programas, conhecidos como checkers, eram usados para tentar acessar sistemas bancários e obter informações como senhas, números de contas e saldos de correntistas.
As ferramentas eram vendidas por até R$ 8 mil para outros criminosos, que poderiam utilizar os dados obtidos para aplicar golpes pela internet. De acordo com o delegado Maon Richard de Moraes, os investigados desenvolviam e comercializavam os programas, mas a polícia ainda apura a participação deles em outros crimes cibernéticos.
Prisão em flagrante
Em Ribeirão Preto, os policiais cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do suspeito, identificado como João Pedro, na Rua Abdoocali, na zona leste da cidade. Segundo a investigação, ele estava dormindo e não atendeu à porta, o que levou os agentes a entrar no imóvel à força.
Durante a busca, os policiais encontraram um computador ligado a uma ferramenta que estaria atacando o sistema de uma instituição financeira naquele momento. O homem, que inicialmente era alvo apenas do mandado de busca, acabou preso em flagrante.
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“Ele estava dormindo e o computador ligado, e a gente verificou que ele tinha uma ferramenta ligada e atacando uma instituição bancária, motivo pelo qual ele foi conduzido para cá e vai ser feita a prisão em flagrante dele”, afirmou o delegado.
Na residência, foram apreendidos computadores, duas telas, um notebook e quatro aparelhos celulares. Uma BMW também foi identificada em nome do investigado, e a polícia vai apurar a origem dos recursos utilizados na compra do veículo e a eventual existência de benefícios financeiros relacionados às atividades investigadas.
Dados apreendidos
Uma análise preliminar dos equipamentos identificou cerca de 10 terabytes de dados armazenados, incluindo informações de sistemas públicos. A polícia ainda não sabe como esse material foi obtido e encaminhará os dispositivos para perícia.
Segundo o delegado, os investigadores também identificaram grupos dos quais os suspeitos participavam, nos quais eram comercializadas ferramentas de invasão de sistemas bancários e de extração de dados sigilosos. O material divulgado pela polícia inclui imagens de conversas e tutoriais sobre como acessar os sistemas.
“A investigação continua, na verdade, a gente já tá no começo. (…) Tem muita coisa para avaliar ainda. Isso agora é trabalho para a perícia e depois retorna pra gente para voltar aos trabalhos investigativos e correr atrás dos demais agentes que estão com eles nessa jornada”, explicou Moraes.
A operação também teve como alvo Ivan Wallace Mendes Pereira, de 24 anos, morador de Três Corações. Segundo a investigação, além de comercializar os programas, ele também vendia os dados bancários extraídos. O suspeito, que já havia sido preso por crimes cibernéticos em 2023, teve a prisão temporária decretada pela Justiça, mas não foi localizado durante o cumprimento do mandado e é considerado foragido.
Investigação continua
O homem preso em Ribeirão Preto responde inicialmente por suspeita de invasão de dispositivo informático. A polícia também investiga a possível prática de associação criminosa, estelionato e furto mediante fraude.
O material apreendido será periciado para ajudar a identificar possíveis vítimas e outros envolvidos no esquema. A investigação também prevê a análise dos dados dos aparelhos e a quebra de sigilos para aprofundar as apurações.
De acordo com a polícia, ainda não há outros suspeitos identificados em Ribeirão Preto, mas não está descartada a participação de pessoas da cidade ou de outros estados.



