O isolamento social, a depressão, o luto e doenças físicas estão entre os fatores que podem aumentar o risco de suicídio entre idosos. Durante o Setembro Amarelo, o psiquiatra Cláudio Costa, professor da pós-graduação de psiquiatria da AFIA Educação Médica, chamou atenção para a importância de ampliar o cuidado com essa faixa etária.
Segundo os dados apresentados na entrevista, pouco mais de 14% dos adultos com 70 anos ou mais vivem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão. O especialista também destacou a diferença entre idosos e jovens na proporção de mortes após tentativas de suicídio.
De acordo com Costa, cerca de 25% dos idosos que tentam suicídio acabam morrendo, enquanto entre os jovens esse percentual fica abaixo de 5%. Para o psiquiatra, os números reforçam a necessidade de prevenção e atenção aos sinais de sofrimento mental.
Fatores de risco
O psiquiatra explicou que a depressão clínica, especialmente quando não é tratada ou é recorrente, pode estar associada ao risco de suicídio. Ele também citou situações como o luto pela perda do companheiro ou de pessoas próximas, doenças graves, limitações funcionais e dificuldades de memória.
Segundo Costa, idosos que já apresentam transtornos psiquiátricos, como depressão e transtorno bipolar, também precisam de atenção, principalmente durante períodos de maior gravidade dos quadros.
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A ansiedade e pensamentos recorrentes de que tudo vai dar errado também podem contribuir para o agravamento do sofrimento. O especialista destacou ainda que doenças associadas a dores profundas podem aumentar a vulnerabilidade.
Isolamento
O isolamento social foi apontado pelo psiquiatra como um fator importante. Idosos que perdem o contato com familiares, filhos, antigos colegas e amigos podem passar a não encontrar referências de convivência e participação social.
Para Costa, a sociedade precisa criar alternativas que favoreçam a inclusão dos idosos, com atividades de lazer, pequenos trabalhos e oportunidades de participação e crescimento intelectual.
“Então essas pessoas acabam também olhando a volta e não enxergando nada. E isso é um fator muito grave”, afirmou.
Uso de álcool
O uso de álcool e de outras substâncias que alteram o estado de consciência também pode agravar situações de risco, segundo o psiquiatra. Ele explicou que a alteração da percepção de perigo e risco pode favorecer comportamentos impulsivos.
Costa também citou os efeitos de longo prazo do consumo de álcool e a possibilidade de doenças decorrentes do uso da substância contribuírem para o agravamento do sofrimento emocional.
Para o especialista, o cuidado precisa envolver atenção aos idosos desde cedo, com prevenção, tratamento adequado dos transtornos mentais e inclusão social.



