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Isolamento social pode aumentar risco de sofrimento mental entre idosos

Psicóloga destaca importância da convivência, da atividade social e do respeito às limitações para preservar a saúde mental durante o envelhecimento
Isolamento social
Pexels/Canva

O isolamento social e a perda de vínculos podem contribuir para o sofrimento mental entre idosos e aumentar fatores associados ao risco de suicídio. A psicóloga especialista em idosos Fabíola Paro Lapenta afirma que a falta de pertencimento à sociedade está entre os principais fatores observados no atendimento a essa população.

Segundo a especialista, o envelhecimento ainda é acompanhado por uma série de perdas, como amigos, companheiros, trabalho e referências sociais. A aposentadoria também pode mudar radicalmente a rotina de uma pessoa que passou décadas trabalhando e, de repente, se vê com muitas horas disponíveis sem ter desenvolvido atividades de lazer ou novos círculos de convivência.

Saúde mental

Fabíola explica que o envelhecimento saudável não significa manter o mesmo ritmo de uma pessoa jovem. Também é importante diferenciar limitações naturais da idade de sinais de transtornos mentais. Segundo ela, a ideia de que problemas de memória e outras alterações são simplesmente uma “caduquice” faz com que sinais que deveriam receber atenção sejam tratados como normais.

A psicóloga destaca que a preparação para a velhice deve começar ao longo de toda a vida, com cuidados com a saúde, atividade física, lazer e desenvolvimento de hobbies. Para ela, chegar à terceira idade sem essas atividades pode dificultar a adaptação às mudanças provocadas pela aposentadoria e pela redução da rotina profissional.

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Outro fator apontado é a exclusão dos idosos dentro da própria família e da sociedade. Em encontros familiares, por exemplo, dificuldades para ouvir ou enxergar, maior cansaço e repetição de histórias podem fazer com que a pessoa seja deixada de lado. A falta de estímulos e de participação social pode contribuir para o retrocesso cognitivo.

Solidão

A solidão e o isolamento estão entre os principais fatores relacionados ao sofrimento dos idosos, segundo Fabíola. Ela afirma que a perda de amigos, do companheiro e da rotina de trabalho pode reduzir significativamente os contatos sociais.

A especialista também chama atenção para situações em que grupos de amigos mudam após a morte de um dos integrantes. Um idoso que antes participava de jantares, bailes e encontros pode deixar de frequentar esses espaços depois de perder o parceiro, especialmente quando o grupo era formado principalmente por casais.

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Para Fabíola, a família tem papel importante nesse processo. Visitas e conversas não devem ser adiadas indefinidamente, porque, para um idoso que vive sozinho, aquele encontro pode representar um dos poucos momentos de convivência durante a semana.

A psicóloga também afirma que grupos da terceira idade e atividades comunitárias podem ajudar a reconstruir esse sentimento de pertencimento. Exercícios, convivência e novas amizades contribuem para que o idoso volte a participar ativamente da sociedade.

Convivência

A especialista orienta que familiares mantenham os idosos integrados, mas sem infantilizá-los ou exigir deles um desempenho acima de suas possibilidades. As limitações físicas que surgem com a idade precisam ser consideradas durante passeios, viagens e outras atividades.

Segundo Fabíola, é importante encontrar um equilíbrio entre abandonar o idoso por ele não conseguir acompanhar determinada programação e cobrar que ele mantenha o mesmo ritmo de quando era jovem. A adaptação das atividades permite que ele continue participando sem ser submetido a uma cobrança excessiva.

A tecnologia também pode se transformar em uma barreira para a inclusão. Mudanças frequentes em celulares, equipamentos e objetos do cotidiano podem dificultar a autonomia de pessoas que não tiveram contato com essas tecnologias durante a maior parte da vida. Para a psicóloga, familiares precisam ter paciência para ensinar e, principalmente, manter o diálogo.

Fabíola reforça que o envelhecimento é um processo pelo qual todos vão passar e que a preparação para essa fase envolve toda a sociedade. Para ela, estimular a convivência, respeitar as limitações e preservar os vínculos são atitudes importantes para que o idoso continue se sentindo parte da comunidade.

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