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MPT alerta para ameaças de demissão e discriminação política em denúncias de assédio eleitoral

Região de Ribeirão Preto registrou 42 denúncias nas eleições de 2026, sendo 23 no segundo turno; procuradora orienta trabalhadores a reunir provas e destaca a possibilidade de denúncias anônimas
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Divulgação: TSE

A região de Ribeirão Preto registrou 42 denúncias de assédio eleitoral durante as eleições de 2026. Desse total, 23 foram feitas durante o segundo turno. Os dados são do Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região, que acompanha casos de ameaças e discriminação contra trabalhadores por causa de suas preferências políticas.

Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, a procuradora do MPT, Vanessa Martini, explicou que o perfil das denúncias mudou ao longo do período eleitoral. Antes das eleições, eram mais frequentes relatos de empregadores que tentavam influenciar o voto dos funcionários por meio de promessas ou ameaças relacionadas à manutenção dos empregos.

Após o segundo turno, segundo a procuradora, passaram a aparecer denúncias de ameaças de demissão e de recusa de contratação por orientação político-partidária.

Ameaças

Vanessa explicou que o assédio eleitoral pode ocorrer quando o empregador tenta interferir na escolha do trabalhador, por exemplo, ao afirmar que haverá cortes de vagas caso determinado candidato vença ou ao prometer vantagens se outro for eleito.

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No período posterior à votação, o MPT tem identificado situações em que empregadores declaram publicamente que não vão contratar pessoas com determinada orientação política ou que pretendem demitir funcionários por esse motivo.

A procuradora também ressaltou que perguntas sobre posicionamento político ou ideológico não devem fazer parte dos processos seletivos. “No recrutamento, esse tipo de pergunta não é admitida”, afirmou.

Denúncias

As denúncias podem ser feitas pelo site do Ministério Público do Trabalho, em mpt.mp.br, com a possibilidade de manter o anonimato. Para registrar o caso, é necessário selecionar o estado em que a situação ocorreu, para que a manifestação seja encaminhada à regional responsável.

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Vanessa orienta que os denunciantes apresentem o máximo possível de informações, como capturas de tela, links de publicações, gravações e dados de testemunhas. Segundo ela, esses elementos ajudam o órgão a localizar as provas e dar andamento à apuração.

A procuradora explicou, porém, que provas digitais precisam preservar a chamada cadeia de custódia para que possam ser utilizadas em investigações ou ações judiciais. Ainda assim, apresentar prints e links pode facilitar a localização do conteúdo original pelo MPT.

Proteção

O trabalhador não precisa ser a vítima direta para denunciar. De acordo com Vanessa, qualquer pessoa que presencie uma situação de assédio eleitoral pode comunicar o caso ao Ministério Público do Trabalho.

A procuradora afirmou que o órgão atua para combater práticas discriminatórias e que os empregadores podem sofrer consequências, como multas, obrigações de fazer e retratação, além de indenizações por danos morais individuais ou coletivos, conforme o caso.

Ela também destacou que o MPT investiga possíveis retaliações contra trabalhadores que apresentam denúncias ou reclamações trabalhistas, incluindo práticas conhecidas como “listas sujas”, usadas para dificultar a contratação dessas pessoas.

Segundo Vanessa, o anonimato é uma das formas de dar segurança a quem teme sofrer represálias no mercado de trabalho. As denúncias podem ser feitas mesmo quando a pessoa não deseja se identificar.

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