A Polícia Civil de Franca abriu um segundo inquérito para aprofundar a investigação sobre o sequestro de três familiares de Maria Isabel Oliveira Prado. Uma análise de dados extraídos de celulares indica que Kelly Cristina Queiroz, responsável pela casa onde parte das vítimas foi mantida em cativeiro, tinha conhecimento do crime e acompanhava as ações dos envolvidos.
Segundo o delegado Gabriel Fernando, responsável pelo caso, há elementos que apontam a participação de Kelly na articulação e na manutenção do cativeiro. Ela teria oferecido a própria residência para manter as vítimas e acompanhado as ações de coação contra Maria Isabel.
O delegado também afirmou que Kelly demonstrou preocupação com a alimentação das vítimas, orientou os sequestradores sobre onde encontrar comida na geladeira e deu instruções para abrir e fechar o portão da casa. Em determinado momento, ela também teria manifestado preocupação com o choro da bebê recém-nascida que estava no local.
Sequestro
O caso começou em junho, após a morte de Milton Souza de Prado, de 44 anos, pai de Maria Isabel. Ele foi morto a pauladas na zona rural de Franca. Segundo a Polícia Civil, a jovem confessou ter chamado dois amigos para dar um susto no pai, mas as agressões foram tão violentas que provocaram a morte dele.
Os dois homens apontados como responsáveis pelas agressões, Guilherme Henrique Melo da Cruz, de 22 anos, e Rafael Vítor da Silva Souza, de 18, desapareceram. Posteriormente, os corpos foram encontrados em uma propriedade rural em Sacramento. Maria Isabel também passou a ser investigada por suspeita de envolvimento nas mortes e na ocultação dos cadáveres.
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Durante as investigações, a mãe, a irmã e uma bebê recém-nascida de Maria Isabel foram sequestradas e mantidas em cativeiro no Jardim Aeroporto, em Franca. As três foram resgatadas pela Polícia Civil em 7 de julho e encaminhadas para um abrigo sob proteção do município.
Novos suspeitos
Kelly já era investigada no primeiro inquérito. Na época, em junho, a prisão dela foi solicitada, mas posteriormente convertida em prisão domiciliar. Ela chegou a ser intimada para prestar esclarecimentos na delegacia, mas permaneceu em silêncio.
De acordo com a reportagem, os dados extraídos do celular contradizem uma versão apresentada por Kelly em uma entrevista à imprensa. Na ocasião, ela afirmou que estava fora da casa havia cerca de 20 dias, que desconhecia os responsáveis pelo sequestro e que só soube do caso por meio de reportagens.
A Polícia Civil também identificou outro suspeito de participação no crime. Ele teria ajudado na logística da casa e no transporte de refeições para as vítimas.
Maria Isabel continua desaparecida. No primeiro inquérito, a polícia aponta que os elementos reunidos indicam que ela teria sido morta depois de enviar a localização de Rafael, em Sacramento. O novo procedimento busca esclarecer a participação de cada envolvido no sequestro e também localizar o corpo da jovem.



