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Alta do etanol em Ribeirão Preto e região pode pressionar preço da gasolina nos próximos meses

Consultor econômico relaciona aumento dos preços ao atraso na colheita da cana-de-açúcar e alerta para possível redução da oferta do combustível
etanol
José Luis Coelho

O preço do etanol subiu entre o fim de setembro e o fim de outubro em Ribeirão Preto, Franca e Barretos. O movimento pode estar relacionado ao excesso de chuvas, que tem atrasado a colheita da cana-de-açúcar e comprometido a produção nas usinas da região. A redução da oferta também pode pressionar o preço da gasolina nos próximos meses.

Em Franca, a alta do etanol chegou a quase 7% no período, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já a gasolina comum apresentou pequenas quedas e permaneceu praticamente estável nas três cidades.

Em entrevista à CBN Ribeirão, o consultor econômico José Rita Moreira explicou que o excesso de umidade no solo dificulta a entrada das máquinas nos canaviais e pode comprometer o rendimento da matéria-prima. Em alguns casos, deixar parte da cana para a próxima safra pode ser mais vantajoso do que realizar a colheita fora do momento ideal.

Pressão nos combustíveis

A possível redução da oferta de etanol também preocupa por causa da mistura obrigatória do combustível à gasolina. Atualmente, a gasolina comercializada no Brasil contém 32% de etanol anidro.

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Segundo Moreira, uma eventual escassez do produto pode elevar o custo do combustível adicionado à gasolina e provocar reflexos no preço pago pelos motoristas nos postos.

O consultor lembra que, diferentemente de períodos anteriores, o setor não conta atualmente com estoques reguladores para compensar uma eventual falta de produto. Por isso, uma redução na oferta pode resultar tanto em escassez quanto em aumento dos preços.

Outro fator que influencia as decisões das usinas é o mercado internacional de açúcar. Com a valorização do produto, as empresas precisam avaliar a divisão da produção entre açúcar e etanol, considerando a rentabilidade de cada atividade.

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Moreira explica que existe uma proporção mínima de produção estabelecida por lei, mas também uma faixa em que as usinas podem decidir qual produto priorizar, de acordo com as condições do mercado.

Cenário para 2027

O consultor avalia que o início de 2027 poderá ter um cenário menos turbulento para o mercado de combustíveis e de açúcar. Ele ressalta, porém, que fatores geopolíticos e econômicos internacionais ainda podem provocar mudanças nos preços.

Outro ponto de atenção é a dependência brasileira do mercado externo para determinados derivados de petróleo. Segundo Moreira, embora o país produza petróleo bruto, precisa manter relações comerciais internacionais para obter produtos adequados às necessidades do mercado interno.

Sobre a possibilidade de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 32% para 35%, o consultor defende cautela. Na avaliação dele, a mudança precisa considerar os efeitos sobre os veículos, especialmente os modelos que não são flex e funcionam exclusivamente com gasolina.

Moreira afirma que aproximadamente 42% da frota nacional é formada por veículos exclusivamente a gasolina e avalia que o aumento da proporção de etanol pode trazer dificuldades para parte desses motores.

Enquanto o cenário não se estabiliza, a orientação do consultor para os consumidores é pesquisar os preços nos postos e priorizar estabelecimentos que ofereçam combustível com qualidade e valores mais competitivos.

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