As aulas de robótica têm ganhado espaço nas escolas públicas como estratégia para recuperar a atenção dos estudantes e aproximar a tecnologia do processo de aprendizagem. Baseada na chamada cultura maker, ou cultura do fazer, a proposta aposta em atividades práticas para desenvolver conhecimentos de diferentes áreas e estimular a participação dos alunos.
No quinto episódio da série Algoritmo da Inteligência – A Base da Educação, especialistas e estudantes relatam como a robótica tem sido utilizada como ferramenta para fortalecer o aprendizado, ampliar o contato com diferentes disciplinas e incentivar uma relação mais consciente com a tecnologia.
Segundo os participantes do projeto, o objetivo não é afastar os estudantes do universo digital, mas aproximá-los dele de forma ativa, permitindo que compreendam como funcionam as tecnologias que fazem parte do cotidiano.
Cultura maker
A proposta da cultura maker parte da ideia de que aprender também passa por construir, testar e colocar conceitos em prática. Nesse contexto, a robótica aparece como um instrumento para aproximar os alunos dos processos que estão por trás das tecnologias.
Em Piracicaba, um projeto do Instituto Federal de São Paulo recebeu recursos do CNPq para atender dez escolas estaduais com a compra de kits de robótica. A iniciativa busca conectar diferentes áreas do conhecimento por meio do modelo Steam, sigla em inglês para arte, ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
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De acordo com a coordenação do projeto, o trabalho inclui recursos como impressoras 3D e atividades que unem conteúdos tradicionais com experiências práticas e desenvolvimento de projetos com potencial de impacto ambiental e social.
Aprendizado prático
Entre os estudantes participantes, a percepção é de que a robótica amplia as possibilidades de aprendizagem e facilita a compreensão de conteúdos trabalhados em sala de aula.
Os relatos apontam que as atividades ajudam tanto no desenvolvimento de projetos quanto na visualização de conceitos de disciplinas como matemática. Um dos exemplos citados foi o apoio no entendimento de equações do segundo grau por meio da interação prática com os recursos tecnológicos.
Além da programação e da construção de projetos, os alunos também destacam o contato com outros idiomas durante o uso das plataformas e aplicativos empregados nas aulas, ampliando o aprendizado para além dos conteúdos técnicos.
Uso consciente
A implementação das aulas de robótica coincidiu, em duas escolas estaduais de Campinas, com outro movimento relacionado ao ambiente escolar: a restrição ao uso do celular em sala de aula. Segundo professores envolvidos no projeto, a mudança contribuiu para melhorar a concentração, reduzir a ansiedade e estimular mais interação entre os estudantes durante as atividades.
A avaliação é que o desafio atual não está em retirar a tecnologia do cotidiano dos jovens, mas em ensinar como utilizá-la de forma equilibrada e crítica. Nesse processo, a inteligência artificial e outras ferramentas digitais passam a ser encaradas como instrumentos de apoio, e não como substitutas da construção do conhecimento.



