O uso de medicamentos à base de cannabis pode contribuir para o controle de sintomas associados à doença de Alzheimer, segundo a médica Beatriz Jacob, especialista em dor crônica e estudiosa da cannabis medicinal. A avaliação foi feita durante entrevista à CBN no Dia Mundial da Doença de Alzheimer, lembrado em 21 de setembro.
De acordo com a especialista, estudos apontam benefícios principalmente para sintomas como insônia, alterações de humor e dor. Ela explica que, inicialmente, as pesquisas se concentraram no controle desses sintomas, mas trabalhos mais recentes também investigam uma possível atuação dos canabinoides nos mecanismos relacionados à própria doença.
A médica ressalta, porém, que os resultados ainda precisam ser confirmados em populações maiores e em estudos mais amplos e bem estruturados. Segundo ela, há relatos de melhora cognitiva e de memória, mas ainda é necessário compreender quais perfis de medicamentos são mais adequados para cada paciente.
Controle dos sintomas
Beatriz explica que o organismo humano possui o chamado sistema endocanabinoide, responsável pela produção de substâncias semelhantes às encontradas na planta cannabis. Segundo ela, esse sistema também sofre alterações relacionadas ao envelhecimento.
A partir disso, pesquisadores passaram a investigar o uso de fitocanabinoides, substâncias presentes na planta cannabis, em doenças associadas ao envelhecimento, como o Alzheimer. Segundo a especialista, os estudos indicam melhora de sintomas, o que pode contribuir para o bem-estar tanto dos pacientes quanto dos cuidadores.
Leia também
“Quando a gente pensa numa doença crônica como essa, a gente tem que ir além do paciente. É uma família adoecida, é uma família que sofre”, afirmou.
Estudos recentes
Segundo Beatriz, pesquisas mais recentes indicam que os canabinoides podem atuar também na fisiopatologia do Alzheimer, relacionada à presença de proteínas no cérebro. Ela ressalta, entretanto, que ainda são necessários estudos clínicos maiores para confirmar esses resultados.
A especialista diferencia os medicamentos à base de canabinoides do uso da cannabis fumada. Segundo ela, trata-se de produtos produzidos a partir da planta e utilizados com finalidade medicinal.
Beatriz afirma ainda que estudos e relatos de casos apontam possíveis melhorias cognitivas, inclusive na memória. Ela considera o tratamento uma alternativa promissora, especialmente diante dos efeitos colaterais associados a medicamentos utilizados atualmente.
Acompanhamento médico
De acordo com a médica, o Brasil já conta com mais de 30 produtos à base de cannabis disponíveis em farmácias. A aquisição depende de receita médica, e a avaliação individual é necessária para definir o produto adequado e verificar possíveis interações com outros medicamentos.
A especialista alerta que o óleo de cannabis é metabolizado pelo fígado e pode interagir com diferentes medicamentos, algo especialmente relevante no caso de pacientes idosos, que frequentemente utilizam vários remédios. Entre os medicamentos citados estão anticoagulantes, antipsicóticos e antidepressivos.
Por isso, Beatriz reforça que o acompanhamento médico deve ser contínuo durante o tratamento. Segundo ela, pode ser necessário alterar o produto utilizado conforme a evolução do paciente, os efeitos colaterais e os objetivos do tratamento.



