O preço da cesta básica subiu 0,72% em setembro, passando de R$ 1.338 para R$ 1.347,61, segundo levantamento do Procon em parceria com o Dieese. Entre os 39 produtos pesquisados, a batata registrou a maior alta do mês, de pouco mais de 21%, com o quilo passando de R$ 6,41 para R$ 7,77.
As chuvas prejudicaram a colheita da batata, reduziram a oferta e contribuíram para a elevação dos preços. Em um ano, o produto acumula alta superior a 107%. A cebola também ficou mais cara, com aumento de 8%, enquanto o arroz teve elevação de 3%.
Diante do encarecimento dos alimentos, consumidores têm recorrido à pesquisa de preços, à substituição de marcas e à redução das quantidades compradas. Em supermercados de Ribeirão Preto, a mudança nos hábitos de consumo também é percebida por profissionais do setor.
Preços dos alimentos
Além da batata, outros produtos importantes para a alimentação diária registraram aumentos recentes. Segundo o gerente de supermercado Antônio Noventa, arroz, açúcar, óleo de soja e carne bovina também tiveram elevações de preço nos últimos dias.
As condições climáticas influenciam ainda os valores de alimentos como batata-doce, cenoura e tomate. De acordo com o gerente, o excesso de chuva pode dificultar a retirada dos produtos do solo e provocar perdas antes mesmo de chegarem às prateleiras.
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Consumo adaptado
Para enfrentar a alta dos preços, consumidores têm pesquisado valores, substituído marcas e reduzido as quantidades compradas. Segundo Antônio 90, os produtos de menor custo costumam apresentar vendas mais consistentes, indicando que os clientes buscam alternativas para adequar as despesas ao orçamento.
O gerente também observa diferenças no comportamento de compra ao longo do mês. As compras maiores costumam se concentrar no início do período, enquanto as aquisições semanais se tornaram recorrentes entre os consumidores.
Apesar da alta geral, alguns produtos ficaram mais baratos em setembro. A dúzia de ovos brancos teve redução de quase 5%, enquanto o extrato de tomate registrou queda de 9%.
Inflação acumulada
No acumulado de 2026, a cesta básica registra alta de 4,88%. Considerando os últimos 12 meses, o aumento chega a 3,82%. Para o economista Fred Nassar, a perspectiva de curto prazo não aponta para uma redução dos preços dos alimentos.
Segundo Nassar, a dificuldade de acompanhar os aumentos com a renda leva os brasileiros a diminuir as compras nos supermercados. O economista considera difícil uma reversão desse cenário nos próximos meses e aponta a necessidade de ajustes fiscais. Como alternativa para enfrentar o aumento das despesas, Nassar também menciona a possibilidade de buscar fontes adicionais de renda.



