Passa a valer nesta terça-feira (2) a proibição do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) por médicos em procedimentos estéticos e reparadores. A medida foi adotada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) após a revisão de estudos científicos e relatos de complicações associadas à substância.
O PMMA é um material sintético utilizado há décadas em produtos como lentes de contato e cimento ortopédico. Nos últimos 30 anos, porém, passou a ser empregado também como preenchedor permanente para dar volume ao rosto e a diferentes regiões do corpo.
Segundo o CFM, a análise das evidências científicas demonstrou que os riscos relacionados ao produto superam os benefícios observados em procedimentos estéticos.
Riscos à saúde
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o uso do PMMA pode provocar inflamações, infecções persistentes, morte de tecidos, problemas renais e outras complicações que podem deixar sequelas permanentes.
Um dos fatores que mais preocupam especialistas é que os efeitos adversos nem sempre aparecem imediatamente após a aplicação. Em alguns casos, os problemas surgem anos depois do procedimento, inclusive quando realizado por profissionais habilitados.
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A avaliação do conselho também levou em consideração o aumento de denúncias relacionadas à substância e relatos de danos registrados nos últimos anos.
Dificuldade de tratamento
Especialistas explicam que o PMMA é um produto permanente e não absorvível pelo organismo. Por permanecer no corpo, ele pode desencadear reações inflamatórias ao longo de toda a vida do paciente. Outro agravante é a complexidade do tratamento em casos de complicações. Como o material se mistura aos tecidos saudáveis, sua remoção exige procedimentos cirúrgicos delicados e, muitas vezes, mutilantes.
Segundo o CFM, essa dificuldade diferencia o PMMA de outros preenchedores utilizados na medicina estética, que também apresentam riscos, mas costumam permitir abordagens terapêuticas menos invasivas.
Exceção prevista
A resolução prevê apenas uma exceção para o uso da substância. O PMMA poderá continuar sendo utilizado em pacientes com HIV que apresentam lipodistrofia, condição que provoca alterações na distribuição de gordura corporal. Nesses casos, o procedimento deverá ser realizado exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O Conselho Federal de Medicina ressaltou ainda que a proibição se refere apenas ao uso do PMMA como preenchedor. Aplicações médicas já consolidadas, como em lentes de contato e cimento ortopédico, permanecem autorizadas.



