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Enxaguante bucal com canabidiol desenvolvido pela USP Ribeirão pode ajudar no controle do biofilme dental

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto avalia ação antimicrobiana do produto e prevê testes clínicos em pacientes
Enxaguante bucal
Foto: Arquivo pessoal

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, avalia o uso de enxaguante bucal à base de canabidiol no controle do biofilme dental e na prevenção de problemas como a cárie. Os primeiros testes foram realizados com participantes que utilizavam aparelhos com fragmentos de dentes acoplados, permitindo avaliar a ação do produto fora da boca.

Segundo a professora titular da Faculdade de Odontologia da USP de Ribeirão Preto, Fernanda Panzeri, o próximo passo é realizar testes diretamente nos dentes dos pacientes para verificar os resultados clinicamente. A expectativa é que, caso os estudos avancem de forma positiva, seja possível pensar na disponibilização do produto no mercado em cerca de três anos.

A pesquisadora explica que o canabidiol apresenta efeito antimicrobiano e pode reduzir a quantidade de microrganismos presentes na boca. A proposta é obter efeito semelhante ao de outros enxaguantes utilizados na odontologia, mas sem algumas desvantagens atribuídas à clorexidina, como gosto metálico e possibilidade de manchas nos dentes.

Sem THC

Fernanda Panzeri ressalta que o produto desenvolvido pela equipe não possui substância psicoativa. O enxaguante utiliza óleo de canabidiol sem THC, importado dos Estados Unidos por meio de uma parceria com uma empresa e dentro das regras de regulamentação da Anvisa.

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O enxaguante é produzido em parceria com a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. De acordo com a pesquisadora, o acesso ao óleo é restrito porque ele é destinado a tratamentos específicos, mas a equipe consegue obtê-lo com justificativas relacionadas ao uso em pesquisa.

Neste momento, o produto ainda não está disponível para a população. A intenção é, após a conclusão dos estudos e diante de resultados promissores, buscar o registro e posteriormente ampliar o acesso.

Público-alvo

Além da população em geral, a pesquisa tem como público-alvo pessoas que apresentam baixa mobilidade ou dificuldade para realizar uma boa escovação dos dentes. Entre elas estão idosos, pessoas acamadas e crianças pequenas ou dentro do transtorno do espectro autista.

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A pesquisadora explica que, nesses casos, o biofilme dental pode se acumular com maior facilidade. O enxaguante seria utilizado como complemento à escovação, já que a escovação isoladamente nem sempre consegue remover todo o biofilme.

A previsão é que o produto possa ser utilizado desde crianças que já tenham capacidade de cuspir até idosos, especialmente aqueles que precisam de cuidados específicos. A proposta, porém, é preventiva. A cárie já instalada precisa ser tratada por um dentista, enquanto casos de gengivite podem ser beneficiados pelo uso do enxaguante.

Próximos testes

A equipe pretende iniciar os testes clínicos diretamente nos pacientes após a conclusão do trabalho de mestrado desenvolvido pela pesquisadora envolvida no estudo. A professora Fernanda Panzeri estima que serão necessários cerca de três anos para reunir os resultados e avaliar a possibilidade de colocar o produto no mercado.

Ainda não há necessidade de voluntários para essa etapa. Segundo a pesquisadora, a previsão é que a equipe possa precisar de participantes no próximo ano. A divulgação deverá ser feita pelo perfil da Faculdade de Odontologia da USP no Instagram, @forpuspoficial.

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