A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) divulgou uma nota de repúdio à decisão da União Europeia de criar barreiras às importações de carnes, mel e subprodutos de origem animal do Brasil. A medida preocupa o setor agropecuário, que teme prejuízos econômicos e impactos na competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o presidente da Faesp e do Senar-SP, Tirso Meirelles, classificou a decisão como preocupante e afirmou que o bloqueio representa um obstáculo para um acordo negociado ao longo de 25 anos entre o Mercosul e o bloco europeu. Segundo ele, a medida pode gerar reflexos não apenas nas exportações para a Europa, mas também em outros mercados internacionais.
Barreiras europeias
De acordo com Tirso Meirelles, as restrições impostas pela União Europeia criam dificuldades para a comercialização de produtos brasileiros e demonstram um movimento de proteção ao mercado europeu. Ele destacou que o bloqueio afeta especialmente produtos de maior valor agregado, como cortes nobres da carne bovina.
O dirigente afirmou ainda que a decisão pode abrir precedentes para que outros países adotem medidas semelhantes contra produtos brasileiros. Segundo ele, o impacto vai além dos cerca de US$ 2 bilhões em exportações para a Europa, atingindo a imagem e a competitividade do agronegócio nacional.
Meirelles também informou que participou de discussões com representantes da Argentina e do Uruguai para fortalecer o Mercosul diante das restrições impostas pelo bloco europeu e buscar alternativas para enfrentar o cenário.
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Críticas
Durante a entrevista, o presidente da Faesp atribuiu parte do problema à falta de uma atuação diplomática mais efetiva por parte do governo federal. Segundo ele, o Brasil enfrenta desafios semelhantes em outros mercados, como Estados Unidos e China, que também adotaram medidas que impactam produtos brasileiros.
Para Meirelles, o país precisa agir de forma mais firme diante das restrições comerciais internacionais. Ele citou ainda a necessidade de ampliar o diálogo com entidades do setor agropecuário e de exportação para buscar soluções que revertam as medidas anunciadas pela União Europeia.
O dirigente também criticou a condução econômica do governo federal e afirmou que o agronegócio continua sendo um dos principais pilares da economia brasileira, respondendo por parcela significativa das exportações e dos empregos gerados no país.
Sustentabilidade
Outro ponto destacado por Tirso Meirelles foi a defesa dos padrões sanitários e ambientais adotados pelo agronegócio brasileiro. Segundo ele, o Brasil possui uma das mais rigorosas estruturas de controle sanitário do mundo e não registra ocorrências de doenças como vaca louca, gripe aviária ou peste suína.
O presidente da Faesp argumentou ainda que os produtos questionados pela União Europeia utilizam os mesmos insumos e medicamentos empregados em outros países exportadores, o que reforçaria a tese de que a decisão possui caráter protecionista.
Meirelles também ressaltou a importância da preservação ambiental realizada pelos produtores rurais brasileiros. Segundo ele, grande parte das áreas preservadas do país está dentro de propriedades rurais, contribuindo para a produção agrícola com sustentabilidade.



