A polarização política e a influência das redes sociais estão entre os principais desafios para os eleitores nas eleições deste domingo. Em entrevista à CBN Ribeirão Preto, o futurista Augusto Carminati afirmou que a ascensão de grupos políticos mais radicalizados e a circulação de informações falsas ou distorcidas contribuem para aumentar as tensões e dificultar o debate racional.
Segundo Carminati, a polarização ganhou força a partir de 2015, com a maior relevância de setores da direita mais radicalizada. Ele também destacou que as redes sociais favorecem conteúdos que geram barulho e engajamento, o que pode ampliar as paixões políticas e reduzir a disposição para a checagem dos fatos.
Ao analisar as perspectivas para 2027, o futurista afirmou que o resultado eleitoral poderá produzir diferentes cenários políticos, mas avaliou que a polarização não deve desaparecer independentemente de quem vencer. Para os eleitores indecisos, a recomendação é buscar informações, ponderar os cenários e evitar decisões motivadas apenas pela pressão social ou pelo conteúdo que circula nas redes.
Polarização política
Carminati explicou que a disputa eleitoral sempre mobilizou paixões, mas que o cenário atual apresenta diferenças em relação às eleições das primeiras décadas após a redemocratização. Na avaliação dele, a ascensão de grupos mais radicalizados alterou a dinâmica política e tornou mais difícil compreender e dialogar com diferentes posições.
O futurista também comparou a polarização política às rivalidades esportivas, mas ressaltou que os conflitos eleitorais podem deixar marcas mais profundas nas relações pessoais. Segundo ele, as redes sociais contribuem para esse ambiente ao privilegiar conteúdos que provocam reações intensas.
Leia também
Nesse contexto, Carminati destacou o papel dos eleitores indecisos, que ainda podem avaliar diferentes propostas e consequências antes de tomar uma decisão. Para ele, tentar convencer pessoas que já estão firmemente posicionadas pode aprofundar divergências, enquanto a pesquisa e a checagem de informações ajudam a reduzir a influência das emoções.
Cenários para 2027
Ao abordar as possibilidades para o próximo ano, Carminati afirmou que a diferença entre os candidatos pode resultar em um cenário de continuidade da polarização. Ele mencionou a possibilidade de dificuldades de governabilidade, disputas entre os Poderes e mobilizações populares, independentemente do resultado das urnas.
O futurista também apresentou hipóteses distintas para o período pós-eleitoral, incluindo dificuldades de articulação com o Congresso e a possibilidade de um processo de impeachment. Essas possibilidades foram apresentadas como cenários de análise, e não como resultados definidos.
Na avaliação de Carminati, a sociedade brasileira deve continuar politicamente mobilizada em 2027. Ele relacionou essa perspectiva à pequena margem de diferença esperada entre os candidatos e a movimentos de contestação observados em outros países, sem apontar uma solução imediata para a polarização.
Conselho ao eleitor
Para quem ainda está indeciso, Carminati resumiu sua orientação em três ações: respirar, ponderar e pesquisar. Ele recomendou que os eleitores procurem compreender os cenários possíveis, avaliem suas consequências e não se deixem levar apenas pela pressão de familiares, amigos ou conteúdos que aparecem nas redes sociais.
O futurista também alertou para o risco das meias-verdades, informações que podem parecer corretas, mas apresentam os fatos de maneira incompleta ou distorcida. Por isso, defendeu uma análise cuidadosa antes da escolha eleitoral.
Segundo Carminati, a decisão deve considerar aquilo em que cada eleitor acredita, mas precisa ser tomada com atenção às informações disponíveis e às possíveis consequências. Para ele, o voto dos indecisos pode ter peso importante em uma disputa apertada.



