O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto utilizou, pela primeira vez na América Latina em um hospital público, um sistema robótico em uma cirurgia para implantação de prótese de joelho. O equipamento foi adquirido recentemente pela instituição e passou a integrar os recursos disponíveis para procedimentos ortopédicos.
A primeira cirurgia foi realizada em um paciente de Ribeirão Preto com osteoartrite avançada, quadro que provoca desgaste grave da articulação. Segundo o professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e coordenador da equipe cirúrgica de joelho e trauma ortopédico, Fabrício Fogangnolo, a tecnologia é especialmente útil em casos mais complexos, com deformidades e sequelas de fraturas.
O robô não substitui a atuação do médico. O sistema funciona como uma ferramenta de assistência, permitindo ao cirurgião planejar o procedimento em uma imagem tridimensional do joelho e realizar os cortes ósseos com precisão inferior a um milímetro e a um grau.
Mais precisão
De acordo com Fabrício Fogangnolo, o HC é referência para pacientes com casos graves, nos quais o desgaste ou as deformidades podem dificultar a identificação das referências anatômicas necessárias para o posicionamento adequado da prótese.
O sistema computadorizado capta os pontos anatômicos do joelho no início da cirurgia e cria uma imagem tridimensional. A partir disso, o médico faz o planejamento e utiliza o braço robótico para auxiliar no posicionamento da serra que realiza os cortes.
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O especialista explica que o próprio médico continua segurando e acionando a serra durante o procedimento. O robô, porém, mantém o equipamento na posição determinada no planejamento e proporciona uma conferência computadorizada em tempo real, aumentando a precisão e a segurança da cirurgia.
Casos específicos
A cirurgia robótica não é indicada necessariamente para todos os pacientes que precisam de prótese de joelho. Segundo o médico, a técnica convencional continua sendo capaz de proporcionar bons resultados e a utilização do robô envolve custos maiores.
Os maiores benefícios aparecem nos casos mais difíceis. A tecnologia também pode contribuir para uma recuperação um pouco mais rápida nas primeiras semanas, com estudos apontando menor perda de sangue e um pouco menos de dor no pós-operatório.
Fogangnolo compara a utilização do robô a um GPS. Para um procedimento considerado corriqueiro, não seria necessário utilizar a ferramenta, mas, em uma cirurgia mais complexa, ela pode ajudar a equipe a manter maior precisão durante o caminho até o resultado planejado.
Mais cirurgias
O Hospital das Clínicas vinha realizando cerca de 80 artroplastias de joelho por ano. Com a aquisição do sistema robótico, a programação inicial é manter esse número de cirurgias convencionais e acrescentar outras 100 realizadas com assistência robótica.
A previsão, portanto, é chegar a 180 procedimentos por ano. A equipe de joelho do HC passou por treinamento e certificação para utilizar o equipamento. O primeiro paciente já foi operado e uma nova cirurgia estava prevista para a semana seguinte à entrevista.
A expectativa é ampliar ainda mais a capacidade com a reestruturação do Hospital Estadual. Inicialmente, as cirurgias robóticas estão sendo realizadas no Hospital das Clínicas, mas a expansão da capacidade cirúrgica poderá elevar o número de procedimentos em um curto espaço de tempo.



