Mês de conscientização sobre o lipedema, o Junho Roxo busca ampliar o conhecimento sobre uma doença crônica que afeta principalmente mulheres e que ainda é pouco diagnosticada. Entre os sintomas mais comuns estão dores constantes nas pernas, sensação de peso, inchaço frequente, hematomas sem explicação e dificuldade para perder gordura em determinadas regiões do corpo.
Segundo a médica Ana Flávia Andrade, referência em emagrecimento e lipedema, muitas pacientes convivem durante anos com os sintomas, acreditando se tratar apenas de uma questão estética. A falta de informação, tanto da população quanto de parte dos profissionais da saúde, ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico da doença.
Sintomas
De acordo com a especialista, o lipedema é uma doença do tecido adiposo e pode atingir mulheres de diferentes perfis, inclusive pacientes magras. Por isso, não deve ser confundido com obesidade.
Entre os sinais de alerta estão dores nas pernas, sensibilidade ao toque, inchaço ao longo do dia e acúmulo de gordura em regiões específicas do corpo. A médica destaca que muitas mulheres apresentam desproporção corporal, com cintura mais fina e pernas volumosas, sem conseguir reduzir essa gordura mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.
Outro sintoma frequente é a alteração da pele, que pode apresentar aspecto semelhante à celulite, conhecido como “casca de laranja”. Segundo a especialista, esse sinal está relacionado ao processo inflamatório provocado pela doença.
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Tratamento
O tratamento do lipedema pode seguir duas abordagens. A primeira é o tratamento conservador, baseado em mudanças no estilo de vida, alimentação adequada, prática de atividade física e acompanhamento médico para controle dos sintomas e da progressão da doença.
A segunda possibilidade envolve procedimentos cirúrgicos, como lipoaspiração e lipossucção, indicados principalmente para casos mais avançados, quando a doença já compromete a mobilidade e a qualidade de vida da paciente.
Ana Flávia ressalta que o lipedema não tem cura, mas pode ser controlado. Segundo ela, pacientes que aderem corretamente ao tratamento costumam apresentar melhora significativa dos sintomas em poucos meses.
Diagnóstico precoce
A médica explica que o lipedema passou a integrar o Cadastro Internacional de Doenças em 2022, o que ajuda a explicar por que ainda é uma condição relativamente desconhecida em comparação com outras doenças crônicas.
Ela também chama atenção para os impactos emocionais da doença. Muitas pacientes relatam frustração após anos de tentativas frustradas de emagrecimento e convivem com cobranças e julgamentos por não conseguirem modificar determinadas áreas do corpo.
Por isso, a orientação é procurar avaliação médica especializada diante de sintomas persistentes. O diagnóstico precoce aumenta as chances de controle da doença e reduz o risco de complicações futuras.



