A inteligência artificial já faz parte da rotina, mas o avanço da tecnologia também provoca preocupação entre os brasileiros. Segundo levantamento citado durante a entrevista, 52% dos brasileiros afirmam estar mais preocupados do que animados com o avanço da inteligência artificial, percentual acima da média de 37% registrada em outros países.
Para Arnóbio Morélix, economista e cientista de dados, o receio diante da tecnologia é uma reação legítima e pode indicar atenção às transformações provocadas pela IA. Segundo ele, o problema está quando o medo impede as pessoas de conhecer e utilizar as novas ferramentas.
O especialista também chama atenção para outro dado da pesquisa: 27% dos brasileiros nunca ouviram falar ou leram sobre inteligência artificial. Para ele, essa falta de contato com o tema representa uma lacuna importante na chamada alfabetização em IA.
Uso crítico
Morélix defende que aprender sobre inteligência artificial não significa apenas saber formular comandos para ferramentas como ChatGPT. É necessário compreender as respostas produzidas, identificar possíveis erros e vieses e saber como proteger dados e informações.
Entre os caminhos para adquirir familiaridade com a tecnologia, o especialista cita o contato direto com as ferramentas. Ele menciona Google Gemini, ChatGPT e Claude como exemplos que podem ser utilizados para começar a entender, na prática, as possibilidades da inteligência artificial.
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Ao mesmo tempo, o especialista alerta para o risco de terceirização do raciocínio. Segundo ele, a utilização de ferramentas de IA pode facilitar análises e atividades, mas não elimina a necessidade de conhecer os fundamentos envolvidos em cada tarefa.
Responsabilidade humana
O economista compara o atual receio com a inteligência artificial a preocupações que surgiram com outras tecnologias ao longo da história. Ele cita o exemplo das calculadoras, que geraram questionamentos sobre a possibilidade de as pessoas deixarem de desenvolver habilidades matemáticas, e até debates da Grécia Antiga sobre os efeitos da escrita na memória e no raciocínio.
Para Morélix, a inteligência artificial pode ser utilizada para ampliar possibilidades, analisar alternativas e apoiar decisões, mas a responsabilidade pela decisão final continua sendo humana. Ele também afirma que o mercado de trabalho passará por transformações, sem que isso signifique necessariamente uma piora nas condições profissionais.
O especialista avalia ainda que empresas e trabalhadores estão em diferentes estágios de preparação para a inteligência artificial. Enquanto algumas organizações já oferecem treinamento e acompanham novas tecnologias, outras permanecem receosas ou ainda não incorporaram o tema às suas estratégias.
Segundo ele, a sociedade vive uma transformação tecnológica que ainda não foi acompanhada por uma mudança educacional na mesma proporção. Para ele, ampliar a formação em inteligência artificial é necessário para que pessoas e empresas utilizem essas ferramentas de maneira segura e crítica.



