O crescimento do consumo de músicas antigas, a retomada dos livros físicos e o renascimento das revistas impressas mostram uma valorização do mundo analógico em meio à rotina cada vez mais conectada. Na coluna Conexão CBN, a especialista Patrícia Lima explica que o excesso de estímulos digitais e a repetição de fórmulas pensadas para os algoritmos têm provocado uma espécie de fadiga algorítmica. Segundo dados apresentados por ela, músicas com mais de 18 meses representam 73% do consumo nos serviços de streaming. O movimento também aparece no mercado editorial brasileiro, que registra crescimento no faturamento e na quantidade de leitores.
A preferência pelo papel está relacionada à experiência sensorial, à possibilidade de fazer anotações e ao desejo de passar mais tempo longe das telas. Os livros físicos também ganharam espaço como símbolos de identidade e capital cultural, impulsionados por clubes de leitura e tendências nas redes sociais e na moda. Já as revistas impressas apostam em conteúdos mais aprofundados, curadoria, fotografias e entrevistas exclusivas, em vez da informação fragmentada e das interrupções comuns no ambiente digital.
Para Patrícia, a retomada do analógico reflete uma mudança na relação das pessoas com a tecnologia. Se, nos anos 2010, estar conectado o tempo todo era visto como sinal de modernidade, hoje cresce a busca por momentos de desconexão, equilíbrio e saúde mental. Nesse cenário, tempo, silêncio e paz aparecem como valores cada vez mais desejados. Ouça a coluna Conexão CBN completa no áudio.