A prorrogação por mais 30 dias da subvenção ao diesel deve ajudar a manter o preço do combustível estável no curto prazo, mas não elimina o risco de aumento a partir do fim do período. A avaliação é de Fernando Roca, representante do Núcleo Postos Fernando, em entrevista à CBN Ribeirão Preto.
O governo federal decidiu estender o benefício, que prevê um desconto de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores de diesel. Segundo Roca, sem a medida, o preço médio do combustível em Ribeirão Preto, atualmente em R$ 7,40 por litro, poderia ultrapassar R$ 10, dependendo da localização do posto.
“Não, nesse momento o preço fica estável. O governo simplesmente renovou um subsídio que já existia e a tendência é de que nós tenhamos aí nos próximos 30 dias estabilidade no preço”, afirmou.
Pressão externa
De acordo com Roca, o diesel comercializado no Brasil apresenta uma diferença significativa em relação aos preços do mercado internacional. Ele citou um indicador da Abicom, entidade que acompanha essa defasagem, segundo o qual a diferença já ultrapassava R$ 4 por litro.
Parte dessa diferença é coberta pela subvenção. O representante do setor afirma, porém, que as perspectivas internacionais não indicam uma redução clara dessa pressão nos próximos dias. Uma eventual queda no preço do petróleo poderia ajudar, mas o cenário ainda é incerto.
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Roca também avalia que um novo aumento do diesel após o fim da prorrogação é provável. Segundo ele, o custo do subsídio para os cofres públicos e as demais despesas do governo podem dificultar a manutenção do benefício por mais tempo.
“Ficar sem aumento nós achamos muito difícil”, disse. Para o representante do setor, a evolução dos preços dependerá também da política da Petrobras e das decisões tomadas em conjunto com o governo federal.
Efeito na inflação
O diesel tem impacto direto no transporte rodoviário de cargas e em diferentes etapas da cadeia produtiva. Segundo Roca, o combustível é utilizado no transporte de produtos e de cana-de-açúcar, além de estar presente na logística de diversos setores da economia.
Por isso, uma alta pode elevar os custos do frete e ser repassada aos preços de mercadorias, pressionando a inflação. “Qualquer alteração no diesel afeta o frete e afeta diretamente todas essas cadeias”, afirmou.
O representante dos postos também destacou que a Petrobras pode ser favorecida pela alta do petróleo no mercado internacional, já que exporta petróleo bruto. Na avaliação dele, o resultado das exportações, se suficiente para compensar os custos relacionados à defasagem de preços e aos subsídios, pode ajudar a manter o cenário atual.
Mesmo assim, Roca considera pouco provável uma redução do preço do diesel no curto prazo. “Na atual situação, a manutenção do preço já é uma grande vantagem para o consumidor”, afirmou.
Outros combustíveis
Durante a entrevista, Roca também chamou a atenção para a previsão de retorno da cobrança de impostos federais sobre a gasolina e o etanol a partir de 9 de novembro. Segundo ele, PIS e Cofins estão zerados para esses combustíveis, e o prazo previsto para o fim da desoneração se aproxima.
A eventual retomada dos tributos pode influenciar os preços nas bombas. O representante do setor afirmou que será necessário acompanhar as decisões do governo federal sobre a manutenção ou o encerramento da redução dos impostos.



