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Queda do desemprego exige olhar para qualidade do trabalho e crescimento profissional

Especialista alerta que redução da desocupação não reflete sozinha a realidade do mercado e destaca impacto da subutilização de profissionais
desemprego
suryadi de jefri/Canva

A redução da taxa de desemprego é um indicador positivo para o mercado de trabalho, mas não deve ser analisada isoladamente. A avaliação sobre emprego também precisa considerar fatores como jornada, compatibilidade com a formação profissional, oportunidades de crescimento e geração de renda.

A análise foi feita pela consultora empresarial Fabíola Molina durante entrevista à CBN, ao comentar que estar empregado não significa necessariamente estar em uma condição profissional satisfatória ou adequada às competências desenvolvidas ao longo da carreira. Segundo ela, o cenário de pessoas ocupadas em funções abaixo da própria capacidade pode gerar impactos individuais e coletivos, afetando desde autoestima e produtividade até o potencial de desenvolvimento econômico.

Além do emprego

De acordo com a especialista, o mercado de trabalho precisa ser observado para além dos índices tradicionais de ocupação. Entre os fatores que devem ser considerados estão a quantidade de horas trabalhadas, o alinhamento entre atividade exercida e área de formação, além da possibilidade de crescimento e retorno financeiro suficiente para sustentar a família.

Fabíola destacou que uma pessoa pode estar empregada e ainda assim enfrentar estagnação profissional, especialmente quando trabalha fora da área escolhida por falta de oportunidades compatíveis com sua experiência e qualificação. Ela ressaltou que o problema não está na atividade exercida, mas na ausência de escolha e na limitação de oportunidades que levem o profissional a ocupar funções abaixo do potencial que desenvolveu.

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Mercado competitivo

Outro ponto abordado foi o impacto da necessidade de múltiplas fontes de renda sobre o mercado de trabalho. Segundo a consultora, quando um profissional acumula empregos para complementar renda, pode haver redução de produtividade e menor circulação de oportunidades para pessoas que ainda tentam ingressar no mercado.

Ela também chamou atenção para a responsabilidade compartilhada entre trabalhadores e empresas na construção de trajetórias profissionais mais alinhadas. Na avaliação apresentada, empresas podem ampliar o aproveitamento de talentos ao observar competências além das vagas inicialmente abertas e desenvolver processos seletivos mais flexíveis.

Busca estratégica

Para profissionais que estão fora da área de formação por necessidade e desejam retornar ao setor de origem, a orientação é realizar uma análise das competências atuais e das exigências do mercado. A especialista destacou a importância de identificar possíveis lacunas de qualificação, buscar atualização profissional e ampliar a presença em ambientes relacionados à área de atuação, como congressos, eventos e redes de relacionamento.

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Também foi apontada a necessidade de comunicar resultados e experiências de forma objetiva durante processos seletivos, demonstrando como as habilidades adquiridas podem contribuir diretamente para resolver demandas das empresas. Segundo a consultora, o processo de recolocação exige estratégia, posicionamento profissional e atenção à forma como competências são apresentadas aos recrutadores.

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